Um pouco de história: Os horrores de Magé I

Genesis Torres conta as guerras travadas em solo mageense durante o processo de ocupação da cidade

Por O Dia

Rio - O processo de ocupação das terras de Magé começou em 1565, logo após a expulsão dos franceses que invadiram o Rio de Janeiro. As primeiras sesmarias foram doadas a nobres portugueses que lutaram no conflito. Ao longo do período colonial, formou-se no território uma elite nobiliárquica com estreitas ligações com as dinastias de Avis e Bragança. Magé teve a primazia de receber sua carta de Vila em 7 de junho de 1789 e a elevação a cidade em 2 de outubro de 1857. Magé tinha uma forte ligação com a Monarquia.

O episódio da ocupação da cidade é lembrado em placaDivulgação

Com a Proclamação da República em 1889, setores elitizados da sociedade mageense discutiam os destinos da cidade com o novo governo. Que espaços políticos as elites mageenses iriam ocupar na administração da cidade?

A eleição de Deodoro dois anos após, tendo como vice Floriano Peixoto, não agradava à Marinha. Deodoro, por falta de apoio político nos estados e no Congresso, renunciou. Floriano assumiu e não convocou eleições, sendo acusado por setores de Exército e da Marinha de manter-se no poder contrariando a Constituição.

Foi nesse contexto que os almirantes Saldanha da Gama e Custódio de Mello, então ministro da Marinha, arquitetaram um movimento contra Floriano Peixoto. Para justificar sua ação, os revoltosos denunciavam a ilegalidade do governo e passaram, em setembro de 1893, a bombardear a Baía da Guanabara. Era a Revolta da Armada. O presidente Floriano Peixoto reuniu forças leais do Exército e derrotou os revoltosos.

Obviamente, acreditava-se que em Magé havia tropas ou grupos leais aos legalistas, monarquistas e republicanos bem como grupos fiéis às forças do Exército. Em novembro de 1893, os almirantes Custódio de Mello e Saldanha da Gama, revoltosos contra os poderes da República, invadiram Paquetá e na sequência todo o território de Magé. Chegaram ao Porto da Piedade e submeteram a população humilde, que vivia do corte de lenha e de pescados, que eram vendidos nas praças do Rio de Janeiro.

Em meados de 1893, revoltosos ocuparam a cidade e fizeram um centro para fornecimento de gêneros alimentícios. Eram comandados pelo primeiro tenente José A. Vinhães. A população, amedrontada, retirou-se, indo para Petrópolis e Teresópolis e outros pontos do estado.

Aos poucos, a população voltou para suas casas devido às boas relações mantidas com o tenente Vinhães, respeitador e que mantinha seus subordinados com ética. Mesmo assim, teve a oposição do juiz municipal, do promotor público e do médico Francisco Ferreira de Siqueira, que pediram ao presidente do estado que retirassem da cidade as forças revoltosas.

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