Um Pouco de História: Tenório Cavalcanti II

A Baixada, no fim da II Guerra, vivia o fim do Ciclo da Laranja

Por O Dia

O território da Baixada, até o fim da II Grande Guerra, era predominantemente rural com agricultura de sobrevivência: vivia o fim do Ciclo da Laranja. No entanto, um intenso e rápido processo de urbanização estava em andamento. Os leitos dos rios foram modificados, mas a população sofria com inundações nos locais mais baixos, e o poder público nada realizava de significativo. Nos locais onde foram feitas obras de saneamento, o grande fluxo de migrantes provocou a valorização de suas terras. Pessoas e empresas passaram a promover a criação de loteamentos urbanos na região. Os loteamentos geraram disputas, conflitos, ocupações e grilagens: o suficiente para criar a imagem de uma Baixada violenta, que se manteve por muitos anos.

Em comício%2C Tenório prometeu água para Duque de Caxias Divulgação

O ano de 1929 foi marcado pela primeira grande crise do capitalismo, com a quebra da Bolsa de Nova York que depois tornou-se mundial. Em 1930 Getúlio Vargas assumiu o poder. Em 1934 foi promulgada uma nova Constituição, com ampliação dos direitos políticos e sociais, houve novas eleições e Tenório se tornou vereador. Em 1937 Getúlio instituiu o regime ditatorial através do Estado Novo. Governadores e prefeitos passaram a ser nomeados pelo presidente. Vargas, porém, permaneceu no poder até 1945.

Tenório aproveitou este período de “ostracismo” político- partidário para cursar a antiga Faculdade Nacional de Direito, onde formou-se em 1944. Atendeu pessoas necessitadas e se obteve projeção nacional ao atuar como advogado no ‘crime da Sacopã’, em que o tenente da Aeronáutica Alberto Jorge Bandeira era acusado de matar o bancário Afrânio de Lemos. Com a promulgação da Constituição em 1946 houve novas eleições e ele reapareceu. Agora conhecedor de leis e com belíssima oratória.

A capa preta com a qual ocultava sua metralhadora “Lurdinha”, presente de um amigo, era típica dos formandos em Direito da Universidade de Coimbra. Ela tornou-se uma espécie de “amuleto”, símbolo do populismo mesclado ao coronelismo nordestino. Tenório elegeu-se deputado estadual pela UDN em 1947 e deputado federal em 1950, 1954 e 1958. Nas duas últimas eleições, chegou a ser o campeão de votos no estado.

Últimas de _legado_O Dia na Baixada