A prefeitura de Mesquita, por meio da secretaria de Educação, Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Semectel) inaugurou, em junho deste ano, o Centro Cultural Mister Watkins, que fica na Rua Armando Sales Teixeira 57, no Centro, porém o espaço está fechado e artistas da região reclamam da estrutura.
Segundo o professor de História Antônio Carlos Gomes, que trabalha na Secretaria de Educação, há uma explicação para o não-funcionamento do local. “O Centro Cultural foi inaugurado sem estar ‘pronto’, por isso ele ainda está fechado. Teve um grupo de Israel que veio apenas pra isso e já estava tudo combinado, não tinha como remarcar”, conta o professor.
Na época da inauguração, faltavam extintores de incêndio e o elevador do palco não estava funcionando. Hoje, o espaço já está preparado para receber o público, mas continua sem data para começar a funcionar. A prefeitura, no entanto, garante que o centro cultural está em funcionamento. E que está em exposição atualmente a mostra “Máscaras”, aberta ao público diariamente.
Inicialmente chamado de teatro, o espaço para apresentações agora recebeu o nome certo - auditório -, pois não tem coxia, camarim ou profundidade de palco. Outro problema abordado pela classe artística é o fato de o elevador para cadeirantes ter sido acoplado ao palco do auditório. “Apesar de ser interessante ter o elevador para auxiliar o deficiente físico, ele tira a visibilidade do espectador e ocupa muito espaço”, comenta o professor e compositor Sergio Fonseca.
Na avaliação do arquiteto André Mota, a plataforma traz um problema prático: tira a visão dos espectadores que estão na posição à frente dela, no canto direito do palco, além de criar um obstáculo visual para a cena artística. Já o maestro Wallace Távares só vê coisas positivas. “É mais que um centro cultural, é um local que respeita o deficiente”, afirma.
Centro Cultural foi presente de Lily Safra
O Centro Cultural Mister Watkins foi criado em parceria com a empresária e filantropa Lily Safra, filha de Wolf White Watkins, imigrante russo e grande empreendedor na região de Mesquita nas décadas 1950 e 1960. Lily morou no município e foi quem financiou as obras. “A Lily quis presentear Mesquita com um centro cultural, que recebeu o nome de seu pai, que foi muito importante para o município”, conta o professor Antônio, que afirma:“O centro cultural é um espaço democrático, pra dar visibilidade para os artistas locais. Tiveram, ainda, o cuidado de adaptar rampas e marcações para deficientes visuais até nas calçadas.
De acordo com a prefeitura, o espaço tem local para exposições, shows musicais e sala de cinema para exibição de filmes nacionais, além de uma escola de teatro e dança.
Reportagem da estagiária Marcelle Abreu