Por marcelle.abreu

Enquanto a dona de casa Joana da Silva, de 54 anos, aprende artesanato, os filhos praticam atividades lúdicas, culturais e esportivas. Tudo no mesmo lugar e o melhor, de graça. Desde que foi criado há 12 anos, o espaço Progredir — Organização Não-Governamental que trata usuários de drogas entre 14 e 21 anos — mudou a vida não só da família da dona Joana, mas de outras 185, que participam do trabalho de prevenção e/ou tratamento da dependência química na instituição. Algumas atividades, porém, correm o risco de serem extintas nos próximos meses, caso a Secretaria Estadual de Prevenção à Dependência Química não coloque em dia os repasses, que estão atrasados desde março.

Ao lado de professores e familiares%2C alunas atentas e entusiasmadas participam das aulas de artesanatoPaulo Araújo / Agência O Dia

O espaço Progredir surgiu a partir de um grupo de amigos que realizava trabalho social com crianças de rua e usuários de drogas de todo Estado do Rio. Tudo começou em uma pequena casa alugada, em Miguel Couto.Hoje, a entidade tem dois imóveis próprios, um no bairro da Grama, onde é feito o trabalho de prevenção às drogas, e outro no Centro de Nova Iguaçu, onde acontece o tratamento à dependência química.

“Procuramos um espaço que pudesse evoluir junto com a gente, por isso a escolha de uma comunidade carente. Compramos o terreno de uma igreja, através de doações, e construímos nossa sede seis meses depois. Foi um milagre”, recorda a Coordenadora Geral da Ong, Milli De Giacomi, que completou. “A demanda aumentou, adquirimos mais um espaço no centro de Nova Iguaçu para facilitar o acesso aos jovens de toda a Baixada”, contou.

Prevenção começa cedo

Já a partir dos 10 anos, as crianças, no contraturno escolar, participam de segunda a sexta-feira das oficinas de Hip Hop, capoeira, teatro, futsal, música e canto, basquete, artesanato, boxe, balé e reforço escolar. A partir dos 13, elas podem optar por oficinas individuais, desde que participe do grupo de cidadania — encontros quinzenais com palestras e dinâmicas sobre temas do cotidiano, como: trabalho, drogas e sexualidade.

Em parceria com o projeto Senac na Comunidade, o projeto oferece aos jovens e a seus responsáveis a oportunidade de participar de cursos profissionalizantes de graça, como jardinagem, recursos humanos, administração e arranjos florais. Eles têm duração entre três e quatro meses. Os participantes também podem se consultar com psicólogo, assistente social e pedagogo. A unidade também dispõe deece curso de fotografia e biblioteca com o apoio do Sesc.

" Se não fosse o projeto não teria nada para a gente fazer. Aprendo pintura, faço por terapia. Meus filhos eram tímidos, fizeram novas amizades e se tornaram comunicativos e independentes" disse dona Joana.

Tratamento de combate às drogas

O tratamento de combate às drogas é feito com atendimento ambulatorial: os pacientes se consultam e voltam para casa. Eles passam por uma avaliação psicológica, social, médica e terapia familiar. O tempo médio é de oito meses. Para se increver, é só comparecer à unidade (Rua Maria Sá 590, Centro, Nova Iguaçu). Telefone: 2669-1771.

O espaço Progredir segue a metologia da Ong Luta Pela Paz (LPP), com sede no Complexo da Maré e em Londres, da qual recebeu treinamento. Ela é construída sobre cinco pilares: boxe e artes marciais;educação; empregabilidade; suporte social e liderança juvenil.

Algo Mais: Demissão de funcionários

O espaço Progredir recebe recursos da Fundação Abrinq, - que repassa R$ 7,4 mil todo mês - e da Fundação para a Infância e Adolescência, vinculada à Secretaria Estadual de Prevenção à Dependência Química (SEPREDEQ), responsável pelo repasse de R$ 20 mil por mês. Há seis meses, porém, esse valor não cai na conta. “Reduzimos a carga horária e já estudamos a possibilidade de demitir funcionários”, disse a presidente Maria Nilza Dutra.

Em nota, a SEPREDEQ informou que o atraso nos repasses se deu por problemas na documentação. “Assim que for regularizada, daremos continuidade ao calendário de pagamentos”.


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