Parentes de artista morto brutalmente preparam protesto contra a homofobia

Manifestação acontecerá no próximo sábado, a partir das 10h, na Praça Rui Barbosa no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada

Por O Dia

Um ato contra a homofobia e o ódio. Assim parentes e amigos do produtor cultural Adriano Silva Pereira, de 33 anos, morto no dia 6 de julho, com requintes de crueldade que abalaram a sociedade, definem a manifestação marcada para Nova Iguaçu. O encontro será na Praça Rui Barbosa, no centro, sábado (22), a partir das 10h.

"Não será uma homenagem. Percebemos que em outros momentos como esse, quando outras pessoas morreram e nos reunimos, o clima era de festa, diferente do esperado. Como o caso ainda não foi solucionado, ainda não é o momento", explica a jornalista Priscila Bispo, que mantinha um quarto para o artista em sua casa, onde mora como marido e 'irmão de santo' de Adriano, Mazé Mixo.

O ato será aberto a todos que estão indignados e não suportam mais perder pessoas para a intolerância. "Acredito que ninguém nasce odiando. Nenhum homem nasce machista. A pessoa é ensinada. E temos que ensinar a respeitar o diferente", afirma Priscila, que explica que a ideia do ato é mostrar que independente da religião, do sexo, morreu um homem. "Não queremos traçar uma guerra religiosa. Pelo contrário, se acredita na causa, vem também. Participa! Isso é uma guerra conta a vida".

Adriano foi encontrado morto em um córrego na Estrada do Cabuçu, em QueimadosDivulgação

Uma das pautas do ato será a criminalização da homofobia. "Não temos dados oficiais, pois não temos números. É preciso fazer como foi feito com as mulheres. A Lei Maria da Penha diminuiu os casos de agressão às mulheres. Muita mulher ainda apanha e morre, sim, mas a lei ajuda, inibe. Previne.", comenta a jornalista, acrescentando que tem outros amigos gays que, por medo, evitam sair de casa.

O caso Adriano

O ator e produtor cultural Adriano da Silva Pereira, de 33 anos, foi encontrado morto no dia 6 de julho de 2015 em um córrego na Estrada do Cabuçu, em Queimados, na Baixada Fluminense. De acordo com parentes que fizeram o reconhecimento no Instituto Médico Legal (IML), o corpo da vítima apresentava perfurações parecidas com facadas e marcas de espancamento por diversas partes.

A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) divulgou dia 12 fotos de André Luis dos Santos Vieira, de 19 anos. Ele é suspeito de ter matado o produtor cultural, e está foragido, após a Justiça expedir um mandado de prisão temporária. A motivação, segundo as investigações, foi homofóbica.

Reportagem: Marcelle Abreu

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