O encontro dos sorrisos

Vestidos como palhaços, voluntários e profissionais levam alegria, esperança e ânimo às pessoas internadas

Por O Dia

Amor, fé e dedicação são a base do trabalho dos projetos Alegria, Sorriso e UPA (Unidade de Palhaços do Amor), que através da figura do palhaço, levam alegria para os pacientes do Hospital Geral de Nova Iguaçu.

Palhaça Bia Beloka Nariz de Pipoca%2C de roupa rosa com bolinhas brancas%2C e outros voluntários Divulgação

O mais antigo dos três é o projeto Alegria, que é realizado no hospital desde 2010. Idealizado pelo pastor Paulo Ogg, o projeto ganhou forma com a chegada da palhaça Bia Beloka Nariz de Pipoca. “Ouvi falar do trabalho de capelania em um retiro espiritual. Assim que voltei, comentei com uma amiga a respeito e ela falou que fazia esse tipo de trabalho em Belford Roxo. Na hora pedi pra ir, mas, no primeiro momento, só queria ver, pois tinha medo de chorar, de não resisti. Quando vi, estava participando e me vestindo de palhaça.”, conta Bia, que mora no bairro Nova América em Nova Iguaçu.

Após um tempo, Bia ficou sabendo que o pastor Paulo Ogg estava precisando de voluntários no Hospital da Posse, e vestida de palhaça foi atrás dele. “No início, éramos eu e mais 16, porém com o tempo fiquei sozinha.Trabalho voluntário é complicado. As pessoas se comprometem e não têm disponibilidade”, lamenta Bia. Hoje, o Alegria conta com 30 integrantes dedicados e comprometidos.

O Alegria marca presença no hospital todas às quartas e sextas-feiras. “Não podemos faltar. As pessoas contam com a nossa presença e os adultos cobram”, comenta Bia, que no dia a dia comanda a sua pequena loja de acessórios e roupas no centro da Cerâmica. “Tem dia que vou só pelo comprometimento, pois estou sem condições, porém, quando chego no hospital, esqueço de tudo e saiu renovada. Meus problemas viram nada”, conta Bia, que gosta tanto de ser palhaça que acha ruim quando está vestida ‘de gente’.

Há dois meses, o projeto está sendo levado para o Pronil, em Nilópolis. “Diferente do Hospital da Posse, onde temos suporte e até camarim, lá ainda não temos nada. Já vamos vestidos de casa, mas vale a pena”, comenta Bia, que conta que teve sua vida transformada com o projeto: “Eu era muito estressada, hoje, para me tirar do sério, tem que acontecer alguma coisa muito grave, viu? Você recebe uma lição de vida a cada dia, escuta histórias que modificam”.

Para fazer parte do projeto, a pessoa precisa fazer um curso básico de capelania, ser maior de idade , ser ativo em alguma igreja e, claro, ter o coração disposto a amar e doar um pouco do seu tempo ao próximo. Mas percebendo a vontade de jovens menores de 18 anos em fazer parte do projeto, Bia conversou com o pastor e criou o UPA, que é responsável por arrancar sorrisos aos domingos. “Reuni a galera, passei as noções básicas e, hoje, eles mesmos coordenam o projeto, até porque esse é um trabalho para gente jovem. Eles são muito talentosos”, afirma a palhaça de 51 anos. Atualmente, todos os integrantes são maiores de idade. O UPA conta com 40 voluntários e é realizado a cada quinze dias, o que permite que o trabalho aconteça também fora do hospital, como em abrigos, orfanatos, nas ruas e outros.

Palhaço para levar mensagem

Outro projeto que agita os corredores do Hospital Geral de Nova Iguaçu é o Sorriso. Idealizado pelo pastor Paulo Ogg e pala pastora Adriana Frutuozo em 2013, o projeto é liderado pela auxiliar de saúde bucal, Flávia Cristina, de 34 anos, e pela pedagoga Paula Sarmento. Como no Alegria e no UPA, eles também usam a figura do palhaço para fazer a diferença na vida das pessoas, mas nem sempre foi assim. “No início, não tínhamos pensado em palhaços. Começamos lendo para as crianças nas enfermarias. Depois, convivendo com a Bia Beloka, do Alegria, começamos a colocar a roupa até que nos tornamos palhaços”, conta Flávia, que completa: “A figura do palhaço é alegre”.

Flávia Cristina%2C líder do projeto Sorriso%2C faz uma apresentação para a gurizada Divulgação

Segundo Flávia, o projeto, que conta com 40 voluntários e é realizado aos sábados no hospital, tem uma forma diferente de abordar as pessoas. “Nós usamos a imagem do palhaço para levar uma mensagem, não apenas para entreter. Fazemos ministáculos (espetáculo com ministração). Tem gente que tem medo do palhaço, mas conseguimos nos aproximar e fazer com que percam esse medo”.

O Sorriso também leva alegria, amor e esperança para os abrigos, asilos e ruas da Baixada. “Chegamos nos lugares através de indicações de amigos e também somos chamados”, explica Flávia, deixando claro que também vão em espaços não evangélicos e até em igrejas católicas. “No Sorriso, temos uma integrante católica. Não vemos problema algum. Deus na frente e coração aberto”, assegura.


Doutores da Alegria animam os corredores do Adão Pereira Nunes

A organização Doutores da Alegria, que há 23 anos promove as relações humanas e qualifica a experiência de internação em hospitais por meio da visita contínua de palhaços profissionais, também atua na Baixada, no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, através do projeto Plateias Hospitalares.

Artistas da Companhia de Teatro Íntimo animam os pacientes do Hospital Adão Pereira Nunes%2C em Duque de Caxias Divulgação

“É gratificante ouvir os relatos dos pacientes e seus acompanhantes, que sempre são positivos. Os pacientes aguardam ansiosos as próximas apresentações sejam elas de teatro, dança, circo ou contação de histórias.”, conta Silvia Contar, coordenadora da unidade Rio de Janeiro.

As apresentações envolvem pacientes crianças, adultos ou idosos, seus acompanhantes e funcionários, e acontecem nas enfermarias, Centros de Tratamentos Intensivos (CTI), ala de pediatria, entre outros. “Dependendo das condições, o palco da apresentação é um corredor, um refeitório ou um leito”, comenta Silvia. O trabalho da organização é mantido por recursos financeiros obtidos através de patrocínio, doações de empresas e pessoas e por meio de atividades que geram recursos, como palestras e parcerias com empresas.


Reportagem da estagiária Marcelle Abreu 

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