Mais Educação suspenso por falta de verba federal em Nova Iguaçu

Atraso no repasse deixou cerca de 49 mil alunos da rede municipal sem aulas integrais este mês

Por O Dia

O slogan ‘Pátria Educadora’ parece não fazer muito sentido no momento para os alunos aqui da região. Em 2015, o MEC perdeu R$ 10,5 bilhões do orçamento e a situação não tem melhorado neste ano. Como consequência, em Nova Iguaçu, o Ensino Integral, está suspenso por falta de verba do Mais Educação, programa do governo federal que funcionava em 80% das escolas da cidade.

De acordo com a secretária de Educação, Maria Aparecida Marcondes Rosestolato, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ainda não se manifestou sobre o repasse. “Vai ficar muito difícil para o município assumir os gastos com o horário integral, que custa em torno de R$ 70 mil a R$ 200 mil, dependendo do tamanho da escola. Não conseguiremos bancar essas despesas”, afirma.

Alunos da Escola Municipal Heitor Dantas%2C que atendia 160 alunos no programa%2C estão sem aulas integraisMaíra Coelho / Agência O Dia

O programa sustenta a ampliação da jornada escolar em tempo integral nas escolas públicas. São 7 horas diárias de atividades optativas: acompanhamento pedagógico, educação ambiental, esporte e lazer, direitos humanos em educação, cultura e artes, cultura digital, promoção da saúde, comunicação e uso de mídias, investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica.

Afastada das atividades extracurriculares, Maria Júlia, 8, disse que está tendo dificuldade para fazer as lições de casa. “Antes tinha aula de reforço, mas agora tenho que fazer sozinha, é muito difícil”, afirma. A menina sente falta também das aulas de dança. “Amo dançar! Era a aula que mais gostava, estou muito triste!”, lamenta.

Já Gabriel Xavier, 11, contou que gostava das oficinas de esporte.“O futebol era o que eu mais achava legal. Sem o integral eu passo o dia vendo televisão”, assume.

Situação mais grave é a de Diogo Rafael, 34, que teve que largar o emprego para tomar conta do filho, Dave Juncken, 7. “Enquanto ele estava na escola eu podia trabalhar, mas sem as aulas não tenho com quem deixá-lo”, contou o pai.

A diretora da escola Heitor Dantas, Fátima Café, está preocupada com o desempenho escolar dos alunos. “O Ensino Integral era um apoio e melhorou as notas de muitos alunos. Como vai ser agora?”, indaga.

Procurado pelo DIA, o Mec não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Últimas de _legado_O Dia na Baixada