Por julia.amin

Rio - Depois de muitos anos sofrendo com a degradação e o desmatamento, parte do manguezal de um dos principais santuários ecológicos do Rio de Janeiro, a APA de Guapimirim, pode começar a respirar. O novo fôlego do mangue chega graças ao trabalho que vem sendo realizado pela ONG Guardiões do Mar, que, através do Projeto Uçá, já conseguiu realizar o plantio de mudas de plantas típicas do mangue.

A recuperação equivale a cerca de 4 hectares que estavam devastados, e a expectativa dos especialistas é que, em poucos meses, boa parte do manguezal já esteja coberta e reflorestada. Na próxima semana, biólogos e engenheiros florestais começam a acompanhar o crescimento das mudas, que vão devolver a essa parte do manguezal seu papel de oxigenação no habitat.

Todo tipo de lixo é encontrado na área do manguezal%2C mas as garrafas PET são campeãs de poluiçãoDivulgação


O Projeto Uçá, criado pela ONG Guardiões do Mar, conta com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental. Além de estudar o real impacto da poluição nos manguezais, o Uçá prevê o replantio de 8 hectares na Área de Preservação Ambiental.

O estudo, feito por especialistas, inclui avaliar também o impacto da poluição causada pelo homem para uma espécie que sobrevive nos manguezais e que é fonte de renda de muitos catadores: o Ucides cordatus, ou caranguejo Uçá, cada vez mais escasso na Baía de Guanabara.

Iniciado em julho do ano passado, o Projeto Uçá realiza pesquisas de campo na Baía de Guanabara, avaliando as condições de sobrevivência do caranguejo e promovendo um levantamento da costa marinha dessas regiões. Os biólogos e engenheiros florestais estão fazendo a identificação da fauna e em que condições se encontra.

Os pesquisadores abriram duas frentes até o momento. As saídas de campo para realizar o estudo científico sobre a situação do caranguejo, incluindo os filhotes e larvas, e capina de vegetação exótica.

“A maioria das pessoas não tem a menor ideia da importância dos manguezais para o ecossistema. Acham bonito falar de mangue, mas não entendem a real importância. Estamos estudando e recuperando áreas degradadas e, além de passarmos a mensagem de educação ambiental para jovens e crianças, que passam a ser multiplicadores, estamos realizando parcerias com escolas, secretarias de Meio Ambiente e Educação. Elas são fundamentais para ampliarmos esse leque e fortalecer a consciência ambiental”, explica Pedro Belga, presidente da ONG Guardiões do Mar.

Mais de 11 mil crianças, jovens e adultos já participaram das palestras de Educação Ambiental que os técnicos do Projeto Uçá vêm realizando em escolas e centros culturais etc. O projeto elabora parcerias com secretarias de Educação, Meio Ambiente e Agendas 21 locais, ministrando cursos de formação contínua para os professores de vários municípios. Mais de 170 mil pessoas, entre estudantes, pescadores e catadores de caranguejos, serão beneficiadas.

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