Seis cidades do Norte do estado se unem para criar ações de segurança pública

Em reação ao aumento da violência na região, seis municípios dse juntaram para formar um consórcio

Por O Dia

Rio - Os números comprovam o que muitos moradores já sentem na rotina do dia a dia: a pacificação nas favelas do Rio fez a criminalidade migrar para o interior do estado. Em reação ao aumento da violência na região, seis municípios do Norte Fluminense se juntaram para formar um consórcio de segurança pública. Macaé, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Carapebus, Conceição de Macabu e Quissamã — área do 32º Batalhão de Polícia Militar — assinaram documento em que se comprometem a investir em ações comuns, partilhar informações e formar gabinetes de ordenamento urbano. Neste momento, as intenções estão nas câmaras municipais, para aprovação dos vereadores.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), de janeiro a março o número de registros na região aumentou em 14,2% (mais 669) em relação ao primeiro trimestre de 2013. Entre os crimes que mais cresceram na área do 32º BPM estão o homicídio doloso (82%, de 34 para 62), roubo a transeunte (27,5%, de 295 para 376 casos) e roubo a veículos (34%, de 138 para 185 registros).

Em Rio das Ostras%2C prefeito Alcebíades Sabino cedeu espaço para formação de policiais militares%3A no mês passado%2C foram 100 novos PMsDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“A política de UPPs, sem dúvida, é vitoriosa, contudo, não dá para negar que houve migração da criminalidade para o interior do estado”, lamenta o prefeito de Casimiro de Abreu, Antonio Marcos de Lemos Machado (PSC). “Nós, os prefeitos, não nos escondemos no argumento de que a responsabilidade pela segurança é do governo do estado. Queremos e podemos contribuir”, afirma Machado, sobre a formação do consórcio.

Além das políticas integradas, os municípios prometem contribuir ainda com investimento na formação de novos policiais. Rio das Ostras, por exemplo, cedeu terreno à Secretaria de Segurança Pública para o Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar, que formou, no último mês, cem PMs. A Prefeitura de Casimiro de Abreu também contribui com o custeio da escola.

Para o prefeito de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino (PSC), a ideia é fazer com que durante o curso os novos PMs conheçam melhor os municípios. “Vamos tentar negociar com a Secretaria de Segurança Pública para que parte deles fique na região”, adianta Sabino. Sua cidade, assim como Macaé e Carapebus, recebeu da Petrobras um total de 24 câmeras de monitoramento.

População aprova medidas anticrime
O empresário Márcio Portugal, 54 anos, morador de Macaé, comemora o consórcio: “Vem no momento certo porque os municípios não podem permitir que o interior alcance a situação-limite em que estava a capital até pouco tempo.” Ele foi vítima recentemente de uma tentativa de assalto em plena luz do dia, no Centro, quando saía da sua agência bancária.

“É equivocado pensar a questão da violência de forma individual. Os crimes e as soluções não se restringem aos limites municipais”, explica o secretário de Segurança Pública de Macaé, coronel Edmilson Jorio, que articula as ações para a formação do consórcio. “Vivemos situações parecidas, então, temos de ser inteligentes para agirmos em conjunto.”

Atualmente, Macaé já monitora 24 horas por dia 17 bairros, com 50 câmeras, cedidas pela Petrobras. “Nas áreas em que estão instaladas, houve redução da criminalidade”, comemora o major Marco Antônio Crispim, coordenador do Centro de Monitoramento da cidade. Ele admite, porém, que houve migração para os locais de sombra. “É um problema que tentamos resolver com o policiamento de rua”, explicou.

Macaé realiza pacificação em 2 favelas

O clima de medo nas favelas Nova Holanda e Malvinas, em Macaé, dominadas por duas organizações criminosas — Comando Vermelho e Amigos dos Amigos (ADA) — aos poucos vai dando lugar à esperança. No começo de junho, policiais do 32º BPM ocuparam as duas comunidades. O processo de pacificação envolve, além da PM, diversos órgãos municipais. “Não é uma UPP apenas. É mais, pois não entramos só com a força policial, entramos com serviço público”, explica o coronel Edmilson Jorio, secretário municipal de Segurança Pública.

As áreas recebem ações de limpeza pública, prevenção ao uso de drogas, trabalho e renda, empreendedorismo, saúde, educação, esportes e outras atividades. “Já oferecemos atendimento no balcão de emprego, emissão de documentação e atendimento do Bolsa Família”, lista o secretário de Trabalho e Renda, Alexandre Fernando dos Santos.

Últimas de _legado_O Dia no Estado