Por bianca.lobianco

Rio - Nasceu o sol, e Mestre Tuti sai em seu barquinho para mais um dia de trabalho. Com rede e puxador em mãos, aproveita a força da natureza e desce o Rio São João com a correnteza. No caminho, vai recolhendo sacolas plásticas, garrafas PET, pneus, troncos de madeira, redes de pesca, latinhas de alumínio e fraldas, entre tantos outros resíduos que se acumulam entre a vegetação do manguezal.

Educador ambiental em Barra de São João, o principal distrito de Casimiro de Abreu, José Otoni Moreira, mais conhecido como Mestre Tuti, de 60 anos, diariamente faz a limpeza no Rio São João e seu mangue. São cerca de 1.300 quilos de lixo recolhidos por mês. “Quando comecei a fazer esse trabalho, há cerca de cinco anos, a quantidade de lixo era muito maior”, conta.

Além do barco coletor das margens, com o qual faz o trabalho manual, ele mantém um barco ancorado dentro do rio para que pescadores e as pessoas que por ali passam depositem seu lixo. O ‘Barquinho do Lixo’ funciona muito bem e, segundo Mestre Tuti, vem ajudando na conscientização ambiental.
Quando a maré volta a subir, ele volta para casa com o barco carregado de lixo. Depois de tomar um banho e almoçar, faz a separação de todo o material.

O que serve, encaminha para a reciclagem. Alguns materiais são reutilizados por ele mesmo para a confecção de artesanato. Já as garrafas PET são aproveitadas para cultivar as mudas de mangue, usadas para ‘remanguezar’ o estuário do São João. Durante esses cinco anos, Mestre já plantou mais de 300 mudas, que são tiradas do próprio mangue.

No Barquinho do Lixo%2C Mestre Tuti deposita os resíduos que encontra às margens do rioJuliana Guzzo / Agência O Dia

'Pantanal Fluminense' preservado

Batizado de ‘Pantanal Fluminense’, o Rio São João é adornado pelo Morro São João, um vulcão extinto, coberto pela Mata Atlântica. O rio nasce na Serra do Sambê e deságua no distrito de Barra de São João, onde forma um estuário com características singulares.

Maior rio genuinamente fluminense, em 120 quilômetros ele corta florestas de Mata Atlântica. Na foz, abriga uma área de cinco quilômetros quadrados de manguezal, um dos ecossistemas mais bem preservados no estado.
É no encontro do rio com o mar que o mangue se forma. Da mistura, surge um solo alagado, rico em nutrientes e em matéria orgânica. “O mangue é um grande berçário natural do mundo”, diz Mestre Tuti.

Natural de Trairi, no Ceará, ele se apaixonou por Barra de São João, onde vive há 15 anos. De família de pescadores, a natureza foi uma grande aliada para sua subsistência.Agora, tenta retribuir. A pesca virou lazer, mas a relação de amor e respeito ao meio ambiente permanece.

O trabalho faz parte das ações da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do município para manter a área preservada. A equipe conta com biólogos, engenheiro agrônomo e florestal e outros profissionais.

Você pode gostar