Pequenos negócios em alta: Estado tem meio milhão de empreendedores

Em Campos, no Norte Fluminense, microcrédito é estímulo para abertura de novos negócios

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Cariocas e fluminenses estão cada vez mais investindo para abrir seus negócios. Segundo dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), dos 4,1 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) no país, quase 500 mil estão no estado — a média anual é de cerca de 100 mil. Segundo levantamento do Sebrae, do total de 494.056 MEIs no estado, 39% estão na capital, seguida de São Gonçalo (5,44%) e Duque de Caxias (5,3%), na Região Metropolitana. No interior, os municípios com maior presença de MEIs são Campos dos Goytacazes, com 11.387 (2,3%), e Petrópolis, com 10.475 (2,12%).

A figura jurídica do MEI, criada há cinco anos, permite a formalização de pessoas que atuam por conta própria, faturam até R$ 60 mil por ano e empregam até um funcionário. Ainda de acordo com o Sebrae, as cidades que menos formalizaram MEIs nos últimos cinco anos são Carapebus, Santa Maria Madalena e São José de Ubá. As principais atividades exercidas pelos MEIs estão ligadas ao comércio varejista de roupas e acessórios (9,06%), cabeleireiros (7,17%) e fornecimento de alimentação (3,09%).

Em Campos, o grande número de MEIs é estimulado também por conta das linhas de crédito oferecidas pelo Fundo de Desenvolvimento (Fundecam), uma parceria com a Caixa, por meio do Programa Municipal de Microcrédito, que oferece financiamentos a partir de R$ 300 até R$ 15 mil. O microempreendedor individual tem juro zero, caso pague o empréstimo em dia. Para as microempresas, a taxa de juros fica em 2% ao ano, o que representa, segundo o Fundecam, o menor índice do país.

Segundo a Secretaria Nacional da Micro e Pequena Empresa, 45% dos MEIs do país estão inadimplentes com seus tributos, o que pode levar à perda dos benefícios, multa e juros até ao pagamento dos carnês em atraso e à exclusão do programa. Para ajudar no crescimento dos pequenos negócios em Campos, o Fundecam oferece a equalização da taxa de juros semestralmente, o que pode viabilizar até o pagamento de mais uma parcela do financiamento.

Em Campos%2C Ângela obteve empréstimo de R%24 2 mil para alavancar sua loja de artesanato%2C com juros baixosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Até julho deste ano, 494 empreendedores foram beneficiados com a devolução dos juros pagos. Entre os profissionais contemplados, estão padeiros, ferreiros, fabricante de pipas, comerciantes e ambulantes, entre outros. “Não queremos que o microempreendedor apenas pegue o dinheiro e invista em seu negócio. Junto ao Sebrae, nós capacitamos essas pessoas para que saibam comprar, vender e administrar o dinheiro”, disse o presidente do Fundecam, Otávio Amaral. Segundo ele, até esse ano, 1.133 pessoas entraram no programa e foram movimentados mais de R$ 5 milhões. A iniciativa gerou 281 postos de trabalho e ajudou a manter outros 1.842.

Fábrica cresce com crédito

A Fábrica de Ladrilhos Goytacazes Ltda, do Grupo FLG Blocos, é outro empreendimento beneficiado com recursos do Fundecam. Com 32 anos de atividade no ramo, a construtora de 54 mil m² cresceu nos últimos cinco anos a partir do financiamento, no valor de R$ 2,1 milhões, pagos em 60 prestações.

“Quitei meu empréstimo e estou recebendo os juros de volta, cerca R$ 500 mil. Estou prospectando outro investimento, uma máquina de pavimentação e fabricação de pisos intertravados de concreto que são usados em portos, aeroportos, rodovias e estradas. O valor do empréstimo será de R$ 10 milhões”, contou o empresário José Geraldo.

Hoje, 56 pessoas trabalham na fábrica e a meta é chegar a 80 empregos diretos e indiretos. “É um ganho enorme para Campos, já que haverá a geração de postos de trabalho com mão de obra qualificada e trará um crescimento do PIB na região”, disse.

Juro devolvido ajuda lojista

A loja K Com Meus Botões, que fica no segundo piso do Parque Centro Shopping, na Avenida Pelinca, é uma das beneficiárias do programa de microcrédito em Campos. “Peguei R$ 2 mil e os juros já foram devolvidos. Com isso, a loja pode se manter tranquilamente e podemos investir em cursos de capacitação”, disse a proprietária, Angela Márcia de Castro, 62 anos.

A K Com Meus Botões já foi criada há cinco anos e comercializa a produção de 15 artesãs. “O estabelecimento tem o conceito de solidariedade e vende o que elas produzem. Tudo exposto é bordado a mão. Muitas sustentam suas famílias com o dinheiro que ganham aqui”, conta a microempresária.

Reportagem de Eduardo Ferreira

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