Copa do Mundo promove duelo entre Búzios e Friburgo

Maiores redutos de argentinos e alemães do estado, cidades vão parar para assistir à final

Por O Dia

Rio - Armação dos Búzios, reduto dos hermanos, e Nova Friburgo, segunda casa dos germânicos no estado, vão ferver às 16h de hoje, hora em que começa a ser decidida a melhor seleção do planeta. A cidade da Região dos Lagos já se pintou de azul e branco. Dados do Censo do IBGE de 2010 indicavam que cerca de 450 argentinos vivem em Búzios, mas, segundo a prefeitura, mais de 2 mil moram na cidade hoje em dia. Para reuni-los para a festa, a prefeitura volta a montar telões nas praças principais da cidade. Já em Nova Friburgo, alemães e seus descendentes estarão mais dispersos.

Em Búzios%2C telões nas praças voltarão a atrair os argentinos%3A são quase dois mil%2C segundo a prefeituraDivulgação


A história mostra que na década de 1970, chegaram a Búzios alguns hermanos refugiados de seu país por motivos políticos. Outros, foram visitar a cidade, se encantaram pelas belezas naturais e acabaram ficando por lá. “Vim visitar um amigo por dez dias e não resisti. Acabei ficando e estou aqui há 35 anos. Tenho uma pousada e um cinema. Vou torcer pra minha Argentina, mas sei que vai ser muito difícil. Creio que vai ser 1 a 0”, palpitou Mario Paz.

Já Mario Fernandez, de 58 anos, um dos proprietários da Creperia Chez Michou, é tão fanático que foi a todas as partidas de sua seleção. “Acompanhei a Argentina em todos os estádios e nessa decisão estarei no Maracanã. Temos tudo para sermos campeões, ainda mais depois que o Neymar declarou sua torcida para nós. Vai ser 2 a 1”, garantiu ele, que há 31 anos veio visitar um amigo e não voltou mais a Buenos Aires, onde tinha um restaurante. “Vendi tudo e fiquei.”

Dono do jornal “O Peru Molhado”, que há 33 anos circula no município, Marcelo Lartigue, 60, não está confiante. “Torcerei muito, mas desde a primeira rodada afirmei que a Alemanha ganharia a Copa. Para mim, o pior é a Copa acabar. Me divirto com esse malucos argentinos que gritam e ficam acampados em lugares inacreditáveis.”

Em Nova Friburgo, na Região Serrana, os alemães vão se reunir em alguns estabelecimentos. Um deles é o Bar do Vovô, no distrito de Lumiar. O local ficou lotado no jogo entre Alemanha e Argélia. O dono espera repetir o feito. “Tomara que venha até mais gente para essa final. Sou descendente de alemão e vou torcer como nunca. Até porque, aturar Argentina campeã aqui no Brasil não dá”, brincou Derci Klein, 51. O Censo do IBGE de 2010 mostrava que dentro do estado, a cidade só perde para Rio e Niterói, com 110 pessoas nascidas no país europeu.

DO CONTRA

Filha de alemã é Argentina

Com pai e mãe alemães, a friburguense Frauke Stercker, 69, não esconde seu desejo quanto ao desfecho do Mundial: “Vou torcer para nossos vizinhos. Não faz sentido essa briga entre Brasil e Argentina. Somos sulamericanos.” Harald Jackel pensa diferente. Morador da cidade há quase 30 anos, quando conheceu sua esposa brasileira, o vice-presidente da colônia alemã em Friburgo avisa: “Vou torcer como nunca. Espero um jogo limpo e acho que terminará 3 a 2 para a Alemanha”.

Ainda na Região Serrana, Petrópolis, apesar de ter muitos alemães e descendentes e sediar aquela que é considerada a maior festa da colônia alemã, a Bauernfest, não terá um lugar específico para reunir os simpatizantes da seleção europeia. “Cada um vai para um lado. Não haverá uma concentração. Mas tenho certeza de que todos aqui torcerão para a Alemanha”, afirmou Emydia Hoelz Lyrio, 80, presidente do Clube 29 de Junho, que preserva a cultura alemã.

Reportagem: Eduardo Ferreira

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