Por thiago.antunes

Rio - Com cenário paradisíaco e paisagens de tirar o fôlego, o Parque Nacional da Serra da Bocaina é uma das maiores áreas protegidas da Mata Atlântica no país. Uma grande variedade de fauna e flora, com espécies originais ameaçadas de extinção, e refúgios ecológicos intocados compõem os 104 mil hectares distribuídos entre Paraty e Angra dos Reis e mais quatro cidades do Estado de São Paulo.

Sua extensão é maior que a soma das áreas dos outros quatro parques nacionais existentes no Rio. As riquezas da região, ainda pouco exploradas, estão prestes a se tornar mais conhecidas. Um projeto organizado pelo Sebrae pretende levar ao parque mais atividades ligadas ao ecoturismo e turismo de aventura, com foco nos conceitos de sustentabilidade e na preservação ambiental.

Com altitudes de até dois mil metros quadrados%2C o parque%2C maior do estado%2C atrai aventureiros o ano todoDanilo Castro / Agência O Dia

Um encontro realizado recentemente reuniu empresários interessados em participar do projeto. “O parque tem que ser olhado com mais carinho. Ele é imenso e de suma importância para a biodiversidade do país. Fizemos um diagnóstico junto a 30 empresários locais e traçamos um projeto que tem a perspectiva de integrar a região da Serra da Bocaina às cidades de Paraty e Angra dos Reis”, disse o chefe do parque, Francisco Livino.

Um trecho já está sendo pavimentado e vai ser inserido dentro do parque. De acordo com Livino, a intenção é adensar a cadeia turística dos municípios de Angra e Paraty e criar produtos focados no parque, para que movimentem a economia local. A primeira oficina de trabalho para definir as diretrizes do projeto será no fim do mês.

Com altitudes superiores a dois mil metros, na região serrana, até o nível do mar, no litoral, o local atrai aventureiros que querem conhecer a região da Costa Verde. O dono da empresa Paraty Sport Aventura, o francês Patrick Dol, de 48 anos, espera que as novas ações movimentem mais o seu negócio. “Estamos desde 2005 atuando aqui e esperamos que essa iniciativa vingue. Se o parque realmente der mais importância aos turistas, vamos ganhar com isso. Quanto mais gente conhecendo a região, melhor”, destaca ele, que oferece esportes radicais, como tirolesa, rapel, arvorismo e caiaque.

Entre as atrações para os visitantes da região estão as belas cachoeiras entre refúgios intocados de Mata Atlântica%2C ainda pouco conhecidosLuciana Matos / Agência O Dia

Pousada espera mais visitantes

Mirian do Nascimento, de 53 anos, proprietária do Atelier e Pousada do Riacho em Trindade, vilarejo de Paraty, aposta na ideia. “Tem que haver um trabalho social e qualificação das pessoas que vivem no entorno da Serra da Bocaina para aprenderem a explorar as maravilhas que ela oferece. O parque é muito bonito, mas está muito largado. Essa falta de atenção com o lugar fez com que o turismo diminuísse muito nesses últimos três anos”. A pousada tem 10 quartos e, nesta época do ano, apenas 10% de ocupação.

O Caminho do Ouro%2C que reúne história e natureza%2C é outro atrativoLuciana Matos / Agência O Dia

Projeto chega a outros parques

Entre os principais atrativos turísticos na região da Serra da Bocaina estão o Caminho de Mambucaba, conhecido como a Trilha do Ouro, as cachoeiras de Santo Izidro, das Posses e do Veado, a Pedra do Frade e a Praia do Caixa d'Aço. O coordenador do Sebrae no Sul Fluminense, José Leôncio Andrade, afirma que o principal objetivo do projeto é melhorar a região de uma forma que não afete o ecossistema do parque.

“Esperamos que problemas ambientais, como a exploração inadequada dos recursos naturais, não ocorram.” Entre as ações previstas estão consultoria e oficinas de capacitação para que os empreendedores saibam como atender melhor os visitantes, além de gerir e melhorar seu negócio.

O projeto faz parte de uma parceria entre os ministérios do Turismo e do Meio Ambiente, Sebrae, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) para integrar os parques nacionais com a cadeia produtiva do turismo do seu entorno, com impacto direto na criação de oportunidades de trabalho e renda de empreendedores locais.

No Estado do Rio, a iniciativa também envolve os parques nacionais da Tijuca, de Itatiaia, de Jurubatiba (Macaé) e da Serra dos Órgãos (Teresópolis), além da Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo.

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