Por thiago.antunes

Rio - É do pequeno povoado de Raposo, a 43 quilômetros de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, que saem bolsas usadas por mulheres de Dubai e Nova Zelândia, além de conquistar consumidoras do Rio, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Bahia. Foi no distrito que a empresária Bianca Lobo, de 35 anos, resolveu montar seu ateliê, que alia artesanato ao conceito de sustentabilidade.

“As vendas para o exterior já representam quase 40% da minha receita, sendo 30% para Dubai”, conta Bianca. A Sianinhas Ateliê é uma das 104 micro e pequenas empresas (MPEs) do interior do estado que já exportam produtos para países de várias partes do mundo.

O ateliê de Bianca Lopes%2C em Raposo%2C foi descoberto por uma equipe do Senai Moda em 2011. Hoje ela exporta para Dubai e Nova ZelândiaDivulgação

Um estudo da Firjan mostra que, enquanto na capital o número de empresas exportadoras diminui (passou de 157 para 133, de 2012 para 2013), nas outras cidades elas não param de crescer. Em 2012, eram 73, e em 2013, passaram para 104. O faturamento também teve alta elevação, saindo de R$ 2,8 milhões para R$ 4 milhões — um aumento de 43%. As MPEs são aquelas que têm uma receita bruta superior a R$ 360 mil e igual ou inferior a R$ 3,6 milhões. Em todo o Brasil, já são 4.106 MPEs exportadoras.

“Este crescimento é de suma importância para a economia como um todo, em especial a do interior. As exportações das microempresas têm um volume significativo. Isso também traz uma melhoria para as MPEs, que se valorizam cada vez mais”, explica Claudia dos Santos, especialista em Comércio Exterior do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Firjan. Segundo ela, a diversificação de destinos é fundamental para que estas MPEs fiquem mais fortes e enfrentem o mercado de forma mais competitiva.

A Suspiro Íntimo%2C de Nova Friburgo%2C já vende 15% de sua produção para Estados Unidos%2C Chile%2C Angola e IsraelDivulgação

Focada há 23 anos na confecção de calcinhas e sutiãs, a Suspiro Íntimo, em Nova Friburgo, na Região Serrana, já exporta 15% de sua produção, de cerca de 50 mil peças por mês. “Vendemos para Estados Unidos, Chile, Angola e, no mês passado, foram peças até para Israel. Esse volume exportado representa quase 20% da minha receita. Tudo vai pelos Correios”, conta o empresário Carlos Eduardo Lima. Ele possui também três lojas na cidade e emprega 110 funcionários. “Boa parte foi contratada a partir do momento em que comecei a vender para fora”, garante.

Materiais recicláveis são usados na Sianinhas%2C que emprega 14 pessoas Divulgação

De olho em aumentar seus lucros, Marco Antônio Carezzato, dono da Barra Ligas,com sede em Barra Mansa, no Sul Fluminense, conta que a partir de outubro também vai começar a exportar para a Colômbia. “Nossa empresa vende produtos e insumos industriais, como maquinários e peças em geral. Não podemos viver apenas do mercado interno. Essa recessão no país me levou a buscar compradores no mundo todo”, diz Carezzato, que espera um aumento de 30% na receita. “Vamos começar pelo mercado sul-americano, mas nosso objetivo é ampliar para Europa e Estados Unidos”, planeja.

Contratos fechados no Fashion Rio

Os contratos da Sianinhas com Dubai e Nova Zelândia foram fechados em 2011, durante o Fashion Rio. As analistas do Senai Moda Design, Brenda Tostes e Maria Aparecida Ferreira, foram ao distrito naquele ano, descobriram a Sianinhas por acaso e ficaram interessadas em levar os produtos ao salão de negócios, na ocasião chamado de Fashion Business. A partir daí começaram os contatos com clientes internacionais. “Esta época marcou o período de lançamento da primeira coleção”, confirmou Bianca, que, com apoio da mãe, a modelista Silvia Lôbo, comanda uma equipe de 14 pessoas.

As peças são conhecidas pelo desenho geométrico, colorido e criativo, com materiais como tear (confeccionado com sobra de malha), refugo de jeans, tecidos de algodão e couro ecológico. Brenda Tostes disse que os produtos da Sianinhas chamaram a sua atenção pela qualidade. Desde então, ela acompanha as coleções produzidas por meio de consultorias frequentes. “A Sianinhas utiliza artesanato, tecidos rústicos, bordado, além de empregar e capacitar mão de obra carente. Isso garante o sucesso e o diferencial da marca, comentou.”

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