Caçada a homem pré-histórico em Itaboraí

Após descobrir ‘anta gigante’ que sucedeu dinossauros, pesquisadores saem em busca de fóssil humano

Por O Dia

Rio - A descoberta de uma espécie de anta gigante que teria vivido há 55 milhões de anos em Itaboraí animou ainda mais os pesquisadores que atuam no Parque Paleontológico de São José. Eles agora pretendem intensificar a caça do esqueleto de um homem pré-histórico que teria habitado a região há pelo menos dois milhões de anos. O achado, segundo a arqueóloga Maria Beltrão, que coordena o parque, pode mudar a história da ocupação das Américas. Ela aguarda para breve a aprovação do projeto pelo Iphan para dar início à reescavação.

Com uma britadeira%2C pesquisadores iniciaram ontem operação para retirar fragmentos da espécie que teria vivido no local há 55 milhões de anosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Maria Beltrão disse que há evidências sobre a existência do homem pré-histórico em Itaboraí. “Vamos retomar as escavações arqueológicas. Existem artefatos líticos, ferramentas utilizadas pelo homem pré-histórico. Isso é inédito para a América do Sul. Se conseguir algum vestígio humano, osso, alguma parte qualquer vai ser uma grande descoberta”, conta.

Quatro pesquisadores que atuam no local iniciaram ontem uma operação para resgatar fragmentos da ossada do xenungulado, de formação morfológica semelhante a uma anta, descoberto recentemente em uma das trilhas do local. O animal, da espécie Carodnia Vieirai, é o maior mamífero do período Paleoceno, que sucedeu a era dos dinossauros, já localizado na América do Sul. Foi necessário usar uma britadeira para remover parte dos ossos do fóssil, presas a um calcário. A operação deve continuar nos próximos dias e todo o material será levado para análises no Laboratório de Preparação de Macrofósseis, da UFRJ.

Maria Beltrão disse que os primeiros relatos de existência humana são da África, há dois milhões e meio de anos. “Se o homem saiu desse continente e veio para cá, podemos encontrar ossadas humanas de dois milhões de anos”, conta. Para ela, a procura por esse esqueleto se torna difícil, já que não há possibilidade de encontrar fósseis de crânios, deteriorados devido às condições climáticas, mas é possível encontrar fragmentos em um paredão rochoso.

Gerente do parque, o biólogo Luiz Otávio Castro, que fez a descoberta do xenungulado, disse que os trabalhos para encontrar o esqueleto humano ocorreram durante o período de mineração, na década de 1970, quando a antiga Companhia Nacional de Cimento Mauá explorava o local. “Há dez anos aqui estava tudo submerso. Como o nível de água diminuiu, estamos tendo acesso a essas relíquias.”

Descobertas animam estudantes

Reaberto a visitação pública em junho deste ano, o parque é administrado pela prefeitura e abriu as portas para estudantes de escolas do município. “A gente sempre falava que aqui pode ter alguma descoberta importante que ninguém está vendo. Para a nossa surpresa, estava muito mais exposto do que imaginávamos. Agora as crianças que vêm ao parque já têm um olhar diferente, buscam encontrar alguma coisa. Elas ficam felizes e vislumbram ser arqueólogos e biólogos”, disse André Pereira,  subsecretário de Meio Ambiente do município.

Além de restos arqueológicos que evidenciam a presença do homem pré-histórico na região, no parque já foram descobertos fósseis de diversos mamíferos, gastrópodes, répteis e anfíbios, entre os quais o tatu mais antigo do mundo e o ancestral das emas, ambos do período Paleoceno. Foram achados também fósseis de preguiça gigante e mastodonte, da Idade Pleistocênica, há aproximadamente 20 mil anos.

Reportagem de Rosayne Macedo e Eduardo Ferreira

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