Por thiago.antunes

Rio - Na corrida rumo ao topo da elite do ensino público de qualidade, as escolas do interior do Rio mais uma vez saíram na frente. Das 20 melhores redes municipais de educação no primeiro segmento (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental) que se destacaram no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), 19 estão em cidades menores, com poucos recursos e distantes da Região Metropolitana. Neste ranking, a capital amargou a 20ª posição.

Paty do Alferes vem conquistando a melhor evolução no Ideb%3A saltou de 2%2C9%2C em 2005%2C para 6%2C2%2C em 2013. Na Escola Laudelina Bernardes%2C a nota dos alunos chegou a 7Divulgação

No outro extremo, os piores desempenhos se concentram no Grande Rio, com nove municípios da Baixada Fluminense. Campos dos Goytacazes, na Região Norte, também não fez o dever de casa. A cidade com a maior receita de royalties do petróleo no estado obteve a terceira pior média entre os 92 municípios, com 3,9, empatada com Nova Iguaçu.

O menor Ideb é o de Macuco, na Região Serrana, que tirou 3,6 nos anos iniciais. Já a melhor rede fluminense é a de Comendador Levy Gasparian, no Centro-Sul, que obteve 6,5 no Ideb. Como ela, somente quatro cidades no estado conquistaram o padrão de primeiro mundo. É o caso de Paty do Alferes — que saltou de 2,9, em 2005, para 6,2, em 2013 —, Mendes e Santo Antônio de Pádua, com 6, na avaliação do Ministério da Educação (MEC), que varia de 0 a 10.

Tabela mostra as médias mais altas do estadoArte%3A O Dia

Se fosse uma prova, metade das cidades fluminenses passaria de ano, com média 5. O Ideb é calculado a partir dos resultados da Prova Brasil, a cada dois anos, e das taxas de aprovação e abandono escolar. Para a secretária municipal de Educação do Rio, Helena Bomeny, a queda de 5,4 para 5,3 na maior rede da América Latina pode ser reflexo de 80 dias de greve.

Na avaliação do educador e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Nicholas Davies, a fórmula de sucesso do interior segue uma cartilha que envolve investimento das prefeituras, comprometimento das escolas e participação da comunidade.

“As famílias estão mais presentes. Podem não contar com tantos recursos tecnológicos, mas as escolas são mais bem cuidadas. Muitas vezes, os filhos dos diretores e professores estudam na escola onde os pais lecionam”, diz.

Primeira colocada na Região dos Lagos, Rio das Ostras obteve 5,7 no Ideb, ultrapassando Búzios (5,5) e até Niterói (4,7). Para a secretária de Educação do município Andrea Machado, o resultado é reflexo da parceria de toda a comunidade escolar. “Temos sistema de avaliação para fazer o diagnóstico sistemático do aprendizado e com isso podemos traçar estratégias de melhoria continuada”, diz.


Campos e Macuco têm notas baixas

Tabela mostra as médias mais baixasDivulgação

Com uma população de 5.269 habitantes e mil alunos na rede municipal, Macuco foi o que teve a menor nota no Ideb 2013. Segundo a Secretaria de Educação do município, houve uma falha técnica na hora da passagem dos dados de duas das três escolas avaliadas.

“O resultado da Provinha Brasil de duas escolas não foi passado para o Inep. A única que teve sua avaliação concretizada e repassada, a Escola Municipal Davi Coelho dos Santos, conseguiu 4.7, índice acima da meta que é de 4,6”, afirmou a secretária Kellen Monteiro Lengruber. Segundo ela, na avaliação bimestral feita pelo estado, o Saerginho, as duas escolas conseguiram a meta. “Temos feito cursos de qualificação para capacitar melhor os professores, que recebem o piso de R$ 950”.

Já Campos dos Goytacazes justificou que, apesar do fraco desempenho nos anos iniciais, registrou aumento de 3.6 em 2011 para 3.9 no Ideb 2013 para o segmento, um crescimento médio de 10%. A prefeitura informou que investena qualificação dos professores, pagando piso superior ao nacional, e na reforma das unidades, tendo construído novas escolas para todos os 60 mil alunos da rede.

Aula de reforço e tecnologia garantem fórmula do sucesso

Com 26.381 habitantes e quatro mil alunos dentro das 16 escolas, Paty do Alferes comemora a boa evolução nos índices do Ideb desde 2005. “Aqui é uma cidade pequena e carente, mas temos uma coordenação voltada para todas as escolas, levantando as questões de aprendizagem.

Quando detectamos algum problema, aplicamos o reforço escolar. Também temos o projeto de leitura, além das orientadoras pedagógicas, que avaliam a evasão escolar. Quando a criança falta muito, elas vão à casa para saber o que está acontecendo. Por isso, o índice de evasão é quase zero”, disse a secretária de Educação, Amine Elmor.

Rio das Ostras ficou em primeiro lugar na Região dos Lagos%2C com nota 5%2C7. No ranking estadual%2C fica em nonoDivulgação

Na campeã Comendador Levy Gasparian, dos 8.183 moradores, 1.500 estão nas sete escolas do município, que investe em tecnologia. “Primeiro houve a reforma de cinco escolas e a construção de mais duas. Todas ganharam tela interativa com projetor, notebook e sistema de som. Isso estimula o aprendizado. Oferecemos ainda reforço escolar em matemática e português. Os professores agora dedicam quatro das 20 horas para um planejamento”, explicou a secretária de Educação, Ana Paula de Oliveira.

Você pode gostar