Por bferreira

Rio - Quem disse que os alunos não têm voz nas escolas onde estudam? Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, eles passam a ser mais ouvidos. Um aplicativo que funciona em qualquer celular com sistema android permite aos estudantes do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental dar suas opiniões sobre merenda, ambiente e segurança das escolas municipais. A novidade, chamada de Sistema de Avaliação de Qualidade Escolar (Sarqe), começou a ser implementada em fase de testes há três semanas e, a partir do mês que vem, vai funcionar para valer.

Nesse primeiro momento, cerca de 40 alunos de dez escolas foram escolhidos pelos diretores das instituições para avaliar os quesitos. Na merenda, são apurados os itens sabor, aparência, higiene e atendimento. No “clima escolar”, são avaliadas as relações interpessoais, conflitos entre alunos, brigas e ameaças entre estudante e professor. Já na questão da segurança, são observados, por exemplo, se existe algum vergalhão exposto, um fio desencapado na sala de aula ou locais de risco frequentados pelos alunos. Foram levados em conta aqueles que possuem smartphones e que aceitassem participar do projeto piloto.

“Pelo sistema, o aluno dá a nota de zero a cinco. Zero é uma situação de caos absoluto e cinco, de extrema satisfação”, explicou o secretário de Educação do município, Claudio Mendonça. Segundo ele, o estudante tem que ter consciência na hora da avaliação. “Se começar a colocar zero em todos os aspectos por estar um dia de mau humor, vai dificultar o projeto. Isso é uma forma de gestão participativa, não política. Como um consumidor que está satisfeito ou não com o serviço que está sendo prestado”, disse.

Aluna do nono ano da Escola Municipal Alberto Torres, no bairro Colubandê, Eyshila Theodoro Monteiro, de 14 anos, foi uma das escolhidas para testar o aplicativo. “Fiquei feliz. Vejo como um voto de confiança e uma oportunidade de mostrar responsabilidade”, disse a estudante, que acabou virando “porta-voz” dos colegas.

Eyshila conta como os outros estudantes combinam com ela a análise. “Quando alguém não gosta da merenda ou quer reclamar de alguma outra coisa me procura e pede para eu fazer a avaliação. É uma maneira de os alunos poderem se expressar. É a primeira vez que temos essa oportunidade de dar nossa opinião em assuntos relacionados à escola”, ressaltou.

Tecnologia para solução de conflitos

O secretário de Educação do município, Claudio Mendonça, contou que o segundo passo é o tempo para resolver e estancar o problema. “Assim que recebemos a nota, encaminhamos para o setor responsável para que as providências sejam tomadas. Se for algo simples, o tratamento é imediato, mas sendo um relato de conflito, a equipe de orientação educacional da escola e da secretaria vão fazer a mediação”, observou.

O subsecretário de Tecnologia da Educação, Cláudio Joaquim,que desenvolveu o aplicativo, enaltece a importância da internet como uma ferramenta eficaz na democracia. “Este sistema ajuda os alunos a se sentirem parte do processo. Eles podem exercer a cidadania por meio da tecnologia. Temos tudo para ser referência e expandir a ideia por outros municípios”, disse.

A rede municipal de São Gonçalo é composta por 44 mil alunos. Ao todo, há 33 colégios com turmas do sexto ao nono ano. A intenção é que dois alunos do turno da manhã e dois da tarde dêem suas opiniões e sugestões. Mendonça destacou que o aplicativo deverá passar por alguns ajustes para evitar avaliações incorretas e facilitar o entendimento dos alunos.

Reportagem de Eduardo Ferreira

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