Por thiago.antunes

Rio - Um Rio de contrastes e oportunidades é o que o futuro governador do estado terá que enfrentar para garantir o desenvolvimento econômoco mais equilibrado do interior. Enquanto boa parte do Noroeste Fluminense sofre com o esvaziamento econômico, os vizinhos da Região Norte do estado surfam na onda do crescimento, alavancado, especialmente, pelos investimentos nos setores de petróleo e logística.

Formado por 13 municípios — Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Miracema, Natividade, Porciúncula, Santo Antônio de Pádua, São José de Ubá e Varre-Sai —, o Noroeste responde por apenas 0,5% do PIB industrial do estado (a soma de todas as riquezas das indústrias fluminenses), contra 35,3% do Norte Fluminense, onde o dinamismo industrial supera até mesmo o verificado na capital.

Em 2011, o PIB do Noroeste era de R$ 4,3 bilhões (0,9% do estado), sendo R$ 551,1 milhões relativos ao PIB industrial, formado por produtos alimentícios, de vestuário e acessórios, minerais não-metálicos, papel e celulose, produtos de metal e agropecuária. Na região vivem 319 mil habitantes (2% da população do estado).

Itaperuna é uma das poucas cidades do Noroeste com economia dinâmica. Desafio é atrair novas indústriasDivulgação

Para equalizar essas diferenças, atrair empresas e gerar empregos, fixando a população no Noroeste, será necessário investir na melhoria e ampliação de infraestrutura logística. As conclusões fazem parte do documento “Visões de Futuro”, elaborado pelo Sistema Firjan e que será entregue a todos os candidatos a governador. O estudo traça as potencialidades e desafios para o estado nos próximos 15 anos.

Apesar de possuir a economia menos dinâmica do estado, o Noroeste sentirá em alguns anos os efeitos indiretos dos investimentos no Norte Fluminense, principalmente a construção do Porto do Açu e das empresas em seu entorno, em São João da Barra, que têm potencial para gerar mais de 50 mil empregos diretos e indiretos. No entanto, a baixa cobertura de transporte e demais serviços públicos, principalmente a oferta de água, energia e banda larga, são um entrave à expansão industrial.

Para que o Noroeste possa aproveitar a janela de oportunidades com os investimentos no Norte Fluminense, a Firjan desenvolveu o Projeto 2022, que envolve pavimentação, duplicação e contornos rodoviários em vias que cortam a região. “O objetivo deste conjunto de propostas é garantir a competitividade da classe empresarial, o bem-estar social e a segurança no trânsito para a população. Daremos um importante passo para acelerar o nosso crescimento”, disse o presidente regional da Firjan no Noroeste Fluminense, Antônio Carlos Boechat. Segundo ele, é fundamental que o crescimento ocorra de maneira ordenada e planejada, preservando a qualidade de vida, maior diferencial do interior.

Indústria mais forte que na capital

Com 6,5 milhões de habitantes (39,3% da população do estado), a cidade do Rio respondeu em 2011 por 19,6% do PIB industrial fluminense (R$ 23,6 bilhões). Seu PIB total foi de R$ 209,4 bilhões (45,3% do PIB estadual). Já no Norte Fluminense — região que concentra apenas 5,3% da população do estado (849,5 mil habitantes) — o PIB industrial atingiu R$ 42,4 bilhões (35,3% do estado). O PIB total da região no período foi de R$ 62 bilhões (13,4% do estado).

Com nove municípios (Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Macaé, Quissamã, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra), a região possui um diversificado parque industrial, com destaque para as cadeias de petróleo e gás, da agroindústria, de alimentos e bebidas, farmacêutica, de máquinas e equipamentos e metalmecânica.

Propostas vão preparar o estado para o crescimento em 15 anos

O estudo ‘Visões de Futuro’ detalha os principais motores de crescimento de cada região do estado, além das oportunidades e desafios para acompanhar esses investimentos e promover um desenvolvimento sustentável dentro de cinco a 15 anos.

Mais de mil empresários, representantes do poder público e da sociedade organizada se juntaram aos técnicos para mapear gargalos e apresentar sugestões de ações que devem preparar o estado para o crescimento esperado para as próximas duas décadas, quando receberá bilhões de reais em investimentos. Serão R$ 236 milhões apenas até 2016, segundo outro estudo da Firjan, o Decisão Rio.

“É necessário, desde já, trabalhar para aproveitar ao máximo as oportunidades futuras, investindo na melhoria e ampliação da infraestrutura de transporte e logística, energia elétrica, gás natural e banda larga, insumos fundamentais para as empresas”, ressalta o presidente do Sistema Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

Entre as sugestões para o Norte Fluminense estão a necessidade de adequar os acessos viários e rodoviários ao Porto do Açu, a duplicação integral das BRs 101 e 356 e a implantação do transporte ferroviário de passageiros, interligando as cidades. As restrições logísticas também são o principal desafio do Centro-Norte Fluminense (Nova Friburgo e arredores). O desenvolvimento da região dependerá da melhoria da RJ 116, que precisa de uma terceira pista e da construção de contornos que desviem o tráfego pesado do centro urbano.

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