Por thiago.antunes

Rio - O estado precário das estradas fluminenses e a histórica falta de investimentos na malha rodoviária e ferroviária do estado são alguns dos principais gargalos para o desenvolvimento econômico no interior. A constatação é de recente estudo da Firjan, encaminhado aos candidatos a governador, que aponta a necessidade de diversas obras para garantir a instalação e a expansão das indústrias e o escoamento da produção.

Não bastassem esses obstáculos, as estradas ainda são alvo de pendengas judiciais, como a finalização da construção da pista de subida da BR 040, entre Duque de Caxias e Petrópolis, na Região Serrana. A obra, com conclusão prevista para 2016, foi interrompida por decisão da Justiça, como O DIA mostrou nesta sexta-feira.

Na BR-393%2C obras ameaçam famílias que vivem à beira da rodovia. Em outro trecho%2C falta manutenção Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Já no Sul Fluminense, o Ministério Público Federal instaurou esta semana um inquérito para apurar a falta de manutenção em um trecho não privatizado da BR-393, a Rodovia Lúcia Meira, que corta a região. O MPF quer saber o que está sendo feito para melhorar a sinalização e o fim dos buracos em parte da estrada, entre a saída da Via Dutra, em Barra Mansa, e uma das entradas de Volta Redonda.

O processo de concessão da rodovia aconteceu em 2008, mas o trecho ficou de fora. Segundo o MPF, vários problemas e acidentes acontecem com frequência. O procurador da República Julio José Araujo Junior disse que vai cobrar do Dnit que algo seja feito o mais rápido possível. “Muitas pessoas passam por ali e há a necessidade da adoção de medidas permanentes na rodovia”, explicou.

No início de setembro, o MPF instaurou outro inquérito para garantir o direito à moradia das 640 famílias que vivem à margem da BR-393, no trecho de Volta Redonda, em área de domínio federal, que passa por obras da concessionária Acciona. O procurador disse, na ocasião, que o objetivo era buscar alternativas para o reassentamento das famílias que residem em áreas que estão no meio do caminho de grandes empreendimentos.

Também no Sul do estado, a Justiça Federal voltou a liberar, por meio de liminar concedida quinta-feira ao Ibama, a construção na estrada-parque Paraty Cunha, realizadas pelo estado, com recursos da Eletronuclear. As obras foram suspensas no início de setembro, após ação do MPF. O projeto, que prevê a pavimentação de 6,5 quilômetros de extensão, é considerado fundamental para o desenvolvimento da indústria do turismo em Angra dos Reis e Paraty.

Duplicação da Serra das Araras é esperada há 18 anos

No documento ‘Visões de Futuro’, a Firjan diz que o Sul Fluminense pode se consolidar como um dos maiores polos automotivos do país, com a chegada de novos fornecedores e a expansão dos atualmente instalados, principalmente nas cidades de Resende, Porto Real e Itatiaia.

No entanto, os planos esbarram na construção da nova pista de descida na Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra, aguardada há pelo menos 18 anos.Segundo a Firjan, a duplicação da Serra das Araras é essencial para garantir a atração e concentração da cadeia do setor automotivo, que continuará sendo o motor da expansão do emprego no sul do estado e reforçará a importância de sua base siderúrgica, metalúrgica e metalmecânica.

A obra vai melhorar a ligação da região com a Região Metropolitana do Rio e promete desafogar e trazer mais segurança a um dos trechos mais críticos da via. O projeto está previsto no contrato de concessão da Via Dutra assinado em 1996, mas até hoje não saiu do papel. 

O custo das obras, que devem empregar mil pessoas e durar três anos, é estimado em cerca de R$ 1 bilhão. Para a CCR Nova Dutra, que administra a via, o governo deve cobrir os custos ou a concessionária assumir a obra e, em contrapartida, aumentar a extensão da concessão ou alterar o preço do pedágio. Esta última alternativa, no entanto, é descartada por parlamentares.

Na Via Dutra, prejuízos de R$ 69 milhões

Estima-se que o Brasil já perdeu R$ 69 milhões nos últimos cinco anos com a falta de investimentos na Via Dutra, por conta dos graves acidentes na Serra das Araras. Pela rodovia passam aproximadamente 870 mil veículos por dia, entre Rio e São Paulo. Cerca de 23 milhões de pessoas em 36 municípios, incluindo as duas capitais, habitam o entorno da pista.

Para Edvaldo de Carvalho, presidente da Firjan no Sul Fluminense, as conexões com as principais rodovias também são deficientes e faltam vias adequadas de acesso. “A construção dos viadutos de acesso a Resende (Km 310) e de acesso ao polo automobilístico de Porto Real, na BR-116, vão acabar com o cruzamento que provoca frequentes retenções devido ao conflito com o tráfego de longa distância”, ponderou.

O documento da Firjan aponta ainda a necessidade de construção de uma nova rodovia que una a Baixada à capital, para desafogar a Via Dutra; a duplicação das BRs 101 e 356, no Norte Fluminense; a recuperação do ramal ferroviário entre Niterói e Itaboraí; a adequação de acessos viários e rodoviários ao Porto do Açu, em São João da Barra, além de melhorias na RJ 116, no Centro-Norte Fluminense.

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