Por felipe.martins

Rio - O carregamento de 80 mil toneladas de minério de ferro no píer do Terminal 1, concluído no sábado, marcou oficialmente o início das operações do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense. O anúncio foi comemorado ontem pela Prumo Logística, ex-LLX, de Eike Batista. O principal desafio para o município, no entanto, é transformar o megaempreendimento em motor do desenvolvimento local, sem prejuízos especialmente para a pesca, tradicional atividade econômica de São João da Barra.

Durante recente visita ao complexo, além de discutir medidas para empregar a mão de obra local, o prefeito José Amaro de Souza Neco cobrou uma solução para os pescadores que, com a movimentação de embarcações de grande porte, precisarão se deslocar para locais mais distantes da costa, bem como a conclusão do entreposto pesqueiro, em Atafona, que pode agregar valor à produção de pescado local.

Carregamento do primeiro navio de minério foi anunciado pela PrumoDivulgação

Segundo levantamento da Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Rio de Janeiro), a produção de pescado do município é a segunda maior na área de influência da Bacia de Campos. “O complexo é uma realidade que está colocando não apenas São João da Barra e a região Norte do estado no mapa do desenvolvimento, mas reposicionando o Brasil na logística e na infraestrutura. É importante que tenhamos uma agenda de trabalho em comum que busca o mesmo fim, que é o crescimento”, ressaltou, na ocasião.

Ao todo já foram investidos mais de R$ 6 bilhões neste que é considerado o maior empreendimento portuário em andamento no mundo. Nos 90 quilômetros quadrados do Porto do Açu, além dos 17 berços de atracação que poderão receber até 47 embarcações simultaneamente, em terminais para minério de ferro, granéis líquidos e sólidos, containners e outros, estão empresas voltadas ao setor petrolífero, apoio offshore e um estaleiro.

Atualmente já estão operando na área empresas como a Intermoor, Technip e NOV. A previsão é que este mês a Wärtsila inicie sua operação e, ainda este ano, a AngloAmerican. No primeiro semestre de 2015 a BP deverá iniciar suas atividades, enquanto G.E. e Vallourec já fecharam contrato. No momento, cerca de 3,5 mil pessoas trabalham no local.

Para Eduardo Parente, presidente da Prumo, este primeiro navio —o Key Light, que chegou no dia 22 e está atualmente a caminho da China — representa um marco histórico para o porto. “Já temos vários clientes produzindo, mas o embarque da Anglo American é o primeiro realizado. Agora estamos focados em iniciar a movimentação de embarcações no Terminal 2 até o fim do ano”.

Terminal espera sinal verde

O cais do Terminal Multicargas, com 500 metros de extensão e 14,5 metros de profundidade, já está pronto. O local irá movimentar 4 milhões de toneladas de granéis sólidos e carga geral de empresas instaladas no porto e outros clientes. O terminal aguarda autorizações para início de operação, previsto para o primeiro semestre de 2015. No início do ano será concluída também a construção do quebra-mar do terminal 2.

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