Por vinicius.amparo

Rio - O secretário de Estado de Ambiente, Carlos Francisco Portinho, acredita que a situação crítica da Bacia do Rio Paraíba do Sul deve se regularizar com as chuvas previstas para novembro. Segundo ele, apesar de a situação do abastecimento de água no Rio ser muito diferente da crise que atinge São Paulo, é necessária a realização de campanha para esclarecimento à população sobre a importância de se evitar o desperdício da água.

Em palestra realizada na noite desta última quarta-feira (29) na sede da Sociedade dos Engenheiros, Geólogos e Arquitetos do Rio de Janeiro (Seaerj), Portinho tranquilizou os presentes: "O abastecimento de água no Rio ainda está numa situação de conforto, diferente do que ocorre atualmente em São Paulo. Acredito que as chuvas de novembro e a realização de campanha para conscientizarmos a população em relação à importância do uso racional de água conseguirão equilibrar a situação da Bacia do Paraíba do Sul."

Ele também se declarou contrário à proposta do Governo de São Paulo de uso do Rio Paraíba do Sul para dar vazão à seca que atinge o Sistema Cantareira. Isto se daria a partir da interligação da Represa de Jaguari, abastecida pelo Paraíba do Sul, com a de Atibainha, do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Grande São Paulo.

"Sou contrário a este projeto, pois acredito que o mesmo não será suficiente para atender às necessidades de abastecimento da população de São Paulo. Além disso, temo pelas consequências que irá acarretar para o Rio de Janeiro, porque não vejo segurança jurídica nesta proposta no que se refere aos limites da captação", afirmou Portinho.

Crise histórica

O Rio Paraíba do Sul vive hoje sua pior estiagem em mais de 80 anos. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o nível dos reservatórios desta bacia hidrográfica chegou, no final de setembro, a 12,9% de sua capacidade. É o menor já registrado, segundo especialistas, que já alertam para a necessidade de consumo racional de água e investimentos para a recuperação.

A Bacia do Paraíba do Sul é responsável pelo fornecimento de água a, aproximadamente, 15 milhões de pessoas no eixo Rio-São Paulo, sendo que 10 milhões destes consumidores se encontram no Estado do Rio. De sua capacidade total, 2/3 são desviados para o Guandu, que abastece 80% da Região Metropolitana do estado.

Este foi o primeiro de outros debates que a Seaerj irá promover sobre a questão do abastecimento de água para o Rio de Janeiro.“Trata-se de um tema de fundamental importância para nosso estado. A Seaerj, representando os engenheiros, arquitetos e geólogos das prefeituras fluminenses e do governo estadual, quer ampliar a discussão desta grave questão, que aflige os profissionais e a população de um modo geral”, afirmou o presidente da Seaerj, Joelson Zuchen.

Além do secretário de Ambiente, participaram Rosa Formiga, diretora de Gestão das Águas e do Território do Inea, Edilson Andrade, geólogo do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, e Vera Lúcia Teixeira, presidente do Comitê do Médio Paraíba do Sul e vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul.

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