Por thiago.antunes

Rio - Uma solução emergencial para conter o drama da seca que já atinge milhares de pessoas no Norte Fluminense esbarra em outra preocupação: o meio ambiente. A dragagem de um canal para garantir água potável à população de São João da Barra, onde fica a foz do Rio Paraíba do Sul, está na mira do Ministério Público Federal (MPF). A obra, que deveria começar na última segunda-feira, teve que ser adiada depois que o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira expediu determinação à prefeitura, ao Ibama e ao Inea (Instituto Estadual do Ambiente) para explicar os danos ambientais que poderia causar, especialmente à vizinha São Francisco do Itabapoana.

“Isso mostra o grau de desespero a que se chegou com a estiagem na região. Resolveram dragar um canal aparentemente sem estudos técnicos, sem um processo de licenciamento ambiental. Esta é uma atividade potencialmente poluidora e deve seguir todos os trâmites”, disse o procurador, que visitou o local na terça-feira, após lançar na cidade a campanha “No fluxo da vida, cada gota conta”, em defesa do Paraíba do Sul.

A Secretaria de Meio Ambiente de São João da Barra, após apresentar ao MPF a autorização ambiental concedida pelo Inea, e a informação deste serviço ao Ibama, ao Comitê de Bacias Hidrográficas do Baixo Paraíba, ao Ceivap e à ANA, esclareceu que apenas houve a mobilização de equipamentos e aguarda, para início da operação, a assinatura do termo de cooperação entre o Estado do Rio (por intermédio da Secretaria Estadual do Ambiente e do Inea), o município e a LLX Açu.

Segundo a prefeitura%2C obra vai desassorear a calha principal do rio e permitir à Cedae captar melhor a água Divulgação

“O nosso objetivo é liberar a calha principal do Rio Paraíba do Sul que abastece São João da Barra e que está assoreada. Desta forma, melhoraria a captação de água pela Cedae, pois, ao invés de receber água do mar, o rio ganharia força para colocar água para dentro do mar, diminuindo a salinização. Estaremos aguardando a posição dos órgãos ambientais, estaduais e federais, mas acreditamos que esse procedimento seja o mais resoluto no momento”, informou a prefeitura, em nota.

O Inea infornou que, assim que for notificado, prestará todos os esclarecimentos necessários sobre a obra que, “como outras intervenções realizadas, têm o objetivo de assegurar a continuidade do abastecimento de água de São João da Barra e de outros municípios da Bacia do Rio Paraíba do Sul.” O Ibama diz que só vai se pronunciar quando for notificado oficialmente.

Colaborou Vinicius Amparo

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