Alto índice de coliformes totais na água preocupa municípios

Problema já atinge cinco cidades. Em Rio das Flores, MPF cobra providências

Por O Dia

Rio - Enquanto problemas de abastecimento atingem diversos municípios antes mesmo da chegada do verão, em outros, a questão é a qualidade da água consumida das torneiras. Em pelo menos cinco cidades do estado o índice de coliformes está muito acima do aceitável à saúde humana, segundo análises da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, da Secretaria de Estado de Saúde.

Rio das Flores, no Sul Fluminense, registrou um aumento de cerca de 10% em 2012 para 61% em 2013 nas taxas. Diante disso, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou à prefeitura a adoção de medidas que garantam a qualidade da água. Outras cidades que enfrentam o problema são Conceição de Macabu e São Francisco do Itabapoana, no Norte Fluminense; São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, e Santa Maria Madalena, na Região Serrana.

“O fornecimento de água potável é pressuposto para a garantia de saúde pública. O município, segundo a Constituição, tem o dever jurídico-social de prestar direta ou indiretamente os serviços públicos de interesse local, bem como regular o fornecimento de água potável. A Prefeitura de Rio das Flores fornece água diretamente de órgão próprio, porém, não vem prestando tal serviço de forma adequada e suficiente para a população, além de não realizar as análises dos parâmetros indicados pelo Ministério da Saúde”, afirmou o procurador da República Julio José Araujo Junior.


Análises em Rio das Flores mostraram que de 2012 para 2014 o indice de coliformes subiu de 10% para 61%Divulgação

Amostras realizadas pelo Laboratório Polo Regional de Análises de Água de Valença demonstraram a presença de coliformes totais e algumas delas, também a presença da bactéria E. Coli, sendo que o recomendado pelo ministério é a ausência de ambos. Diversas doenças podem estar associadas à falta de tratamento da água, como diarreias, cólera, giardíase, amebíase, infecções na pele, malária e febre amarela.

Além de recomendar que o município mantenha atualizados os dados básicos do Sistema de Informação em Água (Sisagua), por meio de análises laboratoriais que obedeçam aos parâmetros do ministério, o MPF pede que as famílias que utilizam água de poços artesanais sejam orientadas sobre os cuidados necessários para seu correto armazenamento e o devido tratamento domiciliar. O MPF também cobrou dos órgãos responsáveis, federais e estaduais, que realizem fiscalizações periódicas excepcionais, no prazo de seis meses.

Responsável pelas análises, o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, Alexandre Otávio Chieppe, destacou a importância de verificar e constatar as irregularidades e os perigos da água contaminada e alertar as cidades. “Cabe à prefeitura e à concessionária responsável cumprir as determinações para que a qualidade de vida da população não seja atingida. Identificado o problema, é de responsabilidade do município tomar atitudes, em parceria com o governo federal e estadual”, comentou Chieppe. O DIA não conseguiu contato com responsáveis na Prefeitura de Rio das Flores.

Risco em áreas de difícil acesso

Na Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental do estado é feita a análise bacteriológica total, para inspecionar os micro-organismos vivos e indicar a vulnerabilidade da água para contaminação com coliformes totais. Além disso, é verificada a possível presença de bactérias termo-tolerantes: a água se torna imprópria para consumo, pois adquire os coliformes fecais.

“Outro processo é a turbidez, que indica de forma indireta a qualidade da água e o cloro residual. A qualidade de cloro tem de estar em um determinado limite, senão, acaba se tornando imprópria para uso também”, explicou Alexandre Chieppe.

Segundo ele, de 2009 para 2013, o percentual de melhoria na qualidade da água consumida no estado tem aumentado bastante, porém, ainda existem cidades com índices preocupantes. “Os principais problemas são em locais de difícil acesso, onde nem água encanada tem. Os municípios que possuem saneamento regular e que estão em situação complicada são os que não cumprem as determinações”, disse. Como exemplos positivos, ele citou as cidades de Resende, Volta Redonda e Pinheiral.

Cedae contesta dados

Em nota enviada à redação nesta quarta-feira (18), a Cedae informou que nas cidades de São Francisco do Itabapoana e Santa Maria Madalena, atendidas pela companhia, "não há nenhum caso de contaminação de coliformes". A assessoria contestou as informações passadas pela Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental do Estado, de que os índices nessas duas cidades também estavam elevados.

"Fizemos o levantamento de todos os relatórios mensais dos anos de 2012, 2013 e 2014 e não há nada fora da normalidade. A companhia encaminha todos estes relatórios às Secretarias de Saúde municipais e estaduais que, obviamente, possuem estas informações", esclareceu a Cedae, por meio de sua assessoria.

A empresa disse ainda que antes da distribuição, a água da Cedae passa por um processo rigoroso de tratamento, sendo liberada para consumo somente ao atingir 100% de potabilidade. "Portanto, não há risco de haver distribuição sem que haja este controle". E completou informando que, caso haja endereço específico relatando este problema, será enviado um laboratório móvel imediatamente ao local, a fim de realizar os testes necessários nas amostras coletadas.

Também em nota, a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde informou que os dados que foram apresentados ao MPF referem-se ao percentual de amostras laboratoriais realizadas e não tem relação com os resultados de amostras laboratoriais. "Portanto, não procede a informação de que foi encontrada a bactéria E.coli e coliformes totais nas amostras examinadas". O órgão não informou detalhadamente os dados coletados e analisados em cada um dos municípios mencionados.

MPF publica errata

Ao contrário do divulgado, o Ministério Público Federal (MPF) esclarece que o município de Rio das Flores registrou um aumento no lançamento do parâmetro coliformes totais, de 10% em 2012 para 61% em 2013, isto é, a prefeitura aumentou a amostra de água enviada para a análise da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Esses valores não representam a porcentagem de coliformes na água, mas sim a porcentagem da água analisada.

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