Obras para passagem de dutos do Comperj preocupam Magé

Explosão de pedreira, muita lama e ruas esburacadas são reclamações dos moradores

Por O Dia

Rio - Moradores do bairro Barão do Iriri, em Magé, estão apreensivos com os problemas causados pelas obras da Petrobras para a passagem de um duto do Comperj. A maior preocupação é com o risco que a explosão de uma pedreira pode causar às residências. Na última segunda-feira, cerca de 70 moradores se reuniram com representantes da empreiteira Construcap para resolver o impasse sobre a explosão.

Moradores conseguiram barrar a ação da empresa até pelo menos o próximo dia 9, quando está marcada outra reunião, desta vez com representantes da Petrobras. A Secretaria de Meio Ambiente de Magé informou que embargou a detonação até que os responsáveis técnicos da empresa contratada para a obra e da prefeitura possam se reunir para traçar um plano de contingência, com o auxílio da Guarda Municipal e da Defesa Civil.

]“Nós entendemos que precisamos participar de todo o processo da obra para garantir que os moradores de Barão do Iriri se sintam seguros e tranquilos. Estamos fiscalizando cada canteiro de obras e, até o momento a Petrobras vem cumprindo as normas. Nós do município não abrimos mão de que sejam cumpridas todas as exigências legais do projeto”, disse o secretário Aldecir Ribeiro.

Problemas causados pelas obras da Petrobras levaram moradores a se mobilizar para impedir explosãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“A Petrobras tinha avisado que ia colocar um ônibus para retirar as pessoas a partir das 15h para evitar o risco de abalo em imóveis, já que passam vários dutos de gás no bairro. Mas, após a reunião, isso não aconteceu. Queremos uma solução para essa situação. Uma explosão da pedreira vai afetar as nossas moradias”, afirmou o publicitário Edson Oliveira, de 57 anos.

Uma moradora que não quis se identificar disse que muita gente já saiu de suas casas, com receio de acontecer algo. “Alguns foram indenizados. Outros não. Falaram que avisaram todos há um mês, mas a mim ninguém comunicou nada. Na última sexta fiquei sabendo que iam fazer a explosão na segunda. Como eu ia deixar a minha casa em três dias? Um absurdo”, disse.

Os moradores também reclamam do assoreamento que atinge as valas por onde escorrem as águas das chuvas e das ruas esburacadas devido às carretas que passam pelo bairro. A terra que as obras provocam se transforma em um lamaçal quando chove e entope as valas e invade as casas. “Perdi armário e roupas na chuva de quinta passada. Estou muito preocupada porque outro temporal desse pode estragar mais coisas”, destacou a dona de casa Mirna Santos, 52 anos, há 16 no local.

Projeto foi replanejado

Em nota, a empresa informou que, junto com sua contratada, desenvolve um trabalho de relacionamento comunitário na região a fim de minimizar os impactos das atividades e garantir a segurança de todos. “Conforme procedimento de segurança, é realizada a liberação de área no raio de 400 metros de distância do local de desmonte da rocha, mas não há previsão de impacto na região abrangente, pois haverá sistemas de contenção sobre o ponto de desmonte”, diz.

Segundo a Petrobras, a Construcap realizou encontros com os moradores para prestar esclarecimentos sobre a detonação e que a obra obteve todas as licenças ambientais necessárias. De acordo com a nota, devido aos protestos da comunidade, foi necessário replanejar o andamento das obras, mas o prazo do projeto não sofreu prejuízos.

A detonação faz parte da construção e montagem do sistema dutoviário do Comperj. O traçado, com 48 quilômetros, começa em Itaboraí, e passa pelos municípios de Cachoeiras de Macacu, Guapimirim e Magé até chegar à Refinaria Duque de Caxias (Reduc).

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