Petróleo alavanca crescimento industrial em Campos, Cabo Frio e Rio das Ostras

Municípios registraram os maiores ganhos de participação no valor adicionado em 2012, segundo pesquisa do IBGE

Por O Dia

Rio - A pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem revelou um crescimento significativo da indústria extrativa que colaborou com a elevação da renda de municípios com economias ligadas a produtos minerais, estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo. No Norte Fluminense, por exemplo, Campos dos Goytacazes viu sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) do país passar de 0,9% em 2011 para 1% em 2012, devido à exploração do petróleo.

Infográfico: O raio-X das riquezas do país

Na mesma dinâmica, vêm Cabo Frio (0,23% para 0,28%), Rio das Ostras (0,22% para 0,26%) e Macaé (0,30% para 0,33%). No Espírito Santo, o destaque é Presidente Kennedy, que subiu de 0,10% para 0,12%. Os dados do IBGE revelam que, em 2012, apenas 57 municípios brasileiros — de um total de 5.565 — detêm cerca de metade do PIB nacional, que somou R$ 4,4 trilhões no ano. Além disso, 25% de toda a riqueza produzida no país vêm de seis capitais: São Paulo, Rio, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus.

SÃO PAULO PERDE RITMO

O levantamento mostra também que a cidade de São Paulo continua na liderança do PIB entre os municípios brasileiros, mas em ritmo cada vez menor. De 2009 para 2012, a participação da capital paulista na geração de riquezas do país caiu 0,6 ponto percentual, e responde agora por 11,4% do PIB — equivalente a R$ 499,3 bilhões. O mau desempenho da indústria é um dos principais responsáveis por essa queda.

Nos últimos 14 anos, o valor adicionado da indústria paulista — tudo o que o setor produz, desconsiderando insumos e impostos — caiu de 13,3% para 7,6%. Segundo o IBGE, o cenário reflete tanto uma nova dinâmica empresarial, com a desconcentração dos polos industriais e a migração das unidades de produção para o interior, quanto o mau momento da indústria de transformação, especialmente entre 2011 e 2012.

Esse baixo desempenho em 2012 também foi responsável pelas perdas de participação no PIB de outros municípios. Entre eles, Manaus, que saiu de 1,2% para 1,1%, e São Bernardo do Campo (SP), que foi de 0,9% para 0,8%. Na cidade paulista, os maiores impactos para a perda de participação do PIB vieram da indústria automotiva e os ramos ligados a ela, além da indústria de artigos de perfumaria e cosméticos.

Embora bastante significativas para a economia, as capitais tiveram queda na participação relativa na riqueza nacional em 2012, ficando em 33,4%. No início da série, em 1999, elas geravam 38,7% do PIB. Nos últimos cinco anos, sete capitais se mantiveram fixas no alto do ranking: São Paulo, Rio, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Manaus e Porto Alegre.

Estado do Rio ultrapassa capital paulista

Na comparação regional, o Sudeste é responsável pela geração de 55,5% do PIB brasileiro, com destaque para os estados de São Paulo, que detém 32,1% de participação, e Rio de Janeiro, com 11,5%. Pela primeira vez, o Estado do Rio ultrapassou o Município de São Paulo (11,4%) em participação do PIB. A Região Norte está na lanterna com 5,9%.

Também é do Sudeste o posto de região que mais concentra renda no país. O Índice de Gini (que vai de 0 a 1; quanto mais baixo, menor a concentração de renda) está em 0,88, acima do indicador nacional (0,86). O Sul tem a menor concentração (0,79).

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