Vale tudo por cesta de Natal a R$ 3

Consumidores de Macaé passam até 24h dentro de hipermercado para tentar levar kit com preço errado

Por O Dia

Rio - O casal de namorados Felipe de Souza Gomes, de 17 anos, e Lucimar da Silva, 17, e mais cinco pessoas foram os últimos a sair do hipermercado Walmart, em Macaé, no Norte Fluminense, na segunda-feira à tarde, após mais de 24 horas de impasse no preço de cesta de Natal. Erro de cadastramento do produto gerou muita confusão e até o fechamento do local. Cerca de 250 clientes resolveram acampar na loja, que funciona dentro do Shopping Plaza Macaé, no bairro Granja dos Cavaleiros, desde o início da tarde de domingo, na tentativa de levar para casa o kit a um preço até 27 vezes menor. Bombeiros, Polícia Militar e o Procon foram chamados pela administração do shopping.

Pelo menos 20 pessoas amanheceram no hipermercado ontem. Algumas dormiram no chão ou em poltronasDivulgação / Tadeu Mouzer

O tumulto começou após os consumidores descobrirem que as cestas de Natal estavam marcando R$ 3,04 e R$ 8,23 no leitor de preço. No entanto, quando passavam no caixa, o produto, na verdade, custava R$ 84,98, conforme anunciado na prateleira. Quando souberam pelas operadoras o valor correto, os clientes exigiram que fosse cobrado o mesmo valor registrado no leitor de preços. Por causa do impasse, as compras dos clientes foram canceladas. Eles, então, decidiram ficar, e o Walmart foi fechado. Pelo menos 20 consumidores amanheceram no local. Eles usaram colchonetes e poltronas do próprio mercado para dormir e consumiram alimentos das prateleiras.

GUERRA DE NERVOS

“Cheguei domingo por volta das 16h50 para encontrar a minha namorada e sogra, que estavam lá desde as 15h. Nem ia comprar nada, mas acabei ficando em apoio a elas. Saímos umas 16h de hoje (ontem), com mais cinco pessoas. Fomos os últimos”, contou Felipe. Segundo ele, várias pessoas tentaram levar as cestas, mas o gerente afirmou que elas não poderiam sair com os kits. “A temperatura caiu bastante. Acho que diminuíram o ar-condicionado para nos expulsar. Hoje pela manhã apareceu uma advogada do Walmart e disse que podíamos consumir qualquer produto lá de dentro”, disse.

Já Lucimar reclama do tratamento dos funcionários do Walmart. “Hoje, quando acordei, as portas estavam trancadas. Nem ir ao banheiro podíamos. Tínhamos que fazer xixi em baldes. Uma senhora passou mal e ninguém a deixou sair do mercado para pegar o remédio que estava no carro. Minha preocupação agora é com meu emprego. Tive que faltar hoje (ontem) porque fiquei presa lá”, contou.

O coordenador extraordinário do Procon-Macaé, Carlos Fioretti, disse que, após algum tempo, o Walmart fez proposta para que os clientes levassem uma cesta por R$ 5 (um kit por CPF), mas havia gente com 10 kits no carrinho. “No início da desordem, cerca de 15 pessoas chegaram a pagar o preço mais baixo e foram embora”, comentou.

Walmart nega preços divergentes

Em nota, o Walmart informou que fechou temporariamente a unidade para evitar tumulto e permitir que houvesse rapidez no fluxo de pessoas, tendo em vista que os “manifestantes” estavam bloqueando o acesso dos clientes aos caixas da loja. “A empresa reforça que, desde o início, toda a ação foi acompanhada pela Polícia Militar, que reconheceu que os manifestantes se recusaram a sair da loja desde ontem (domingo)”, diz a nota.

A rede afirmou ainda que os valores das cestas de Natal sinalizados na gôndola/prateleira em que os produtos estavam disponíveis eram os mesmos registrado nos check-outs, não havendo, assim, divergência de preços.

O grupo, de acordo com Felipe, vai abrir um processo coletivo contra o hipermercado.

Outros itens estavam irregulares
“Quando chegamos, percebemos que os responsáveis pelo estabelecimento estavam irredutíveis”, disse o coordenador do Procon-Macaé, Carlos Fioretti. O hipermercado recebeu quatro autos de infração. “Houve má prestação de serviços, já que, quando o erro foi constatado, ninguém do estabelecimento tomou providência para resolver.”

Segundo ele, várias mercadorias estavam vencidas, e não havia livro de reclamações, item obrigatório desde dezembro de 2013. “Vimos também que havia produtos na validade, mas que estavam mofados, estragados e impróprios para uso”. O Walmart tem 15 dias para se manifestar e poderá ser multado — o valor pode variar entre R$ 500 e R$ 7 milhões. “Os clientes foram orientados a recorrer ao Procon e, se desejarem, ao Ministério Público”, disse Fioretti.

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