Cidades turísticas apertam cerco contra ônibus de excursão

Em Búzios, os ônibus têm que se manter pelo menos oito quilômetros afastados da península para evitar superlotação

Por O Dia

Rio - Sol forte e calor são sinônimos de praias lotadas, e isso não é exclusividade do Rio. Ao longo do litoral fluminense, é cada vez maior o volume de pessoas que se espremem nas areias em busca de ‘um lugar ao sol’ nesta época do ano. Para evitar a superlotação e problemas como lixo, trânsito caótico e violência, muitas cidades apostam na mesma solução: apertar o cerco contra a invasão de turistas, especialmente os que praticam a popular ‘farofa’.

Em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, os ônibus, micro-ônibus e vans destinados a excursões ou eventos têm que se manter pelo menos oito quilômetros afastados da península nesta temporada. Só podem trafegar até a Rasa, bairro na entrada da cidade, onde devem retirar a autorização para circular nas outras praias.

Com apoio de agentes ambientais%2C policiais e guardas municipais fecharam a Rio-Santos para barrar a entrada de ônibus de turismo em ParatyDivulgação

O documento precisa ser solicitado até três dias antes, pelo site da prefeitura, mediante taxa que varia de R$ 200 a R$ 1.800 (caso dos ônibus). “Não é proibição, nem exclusão, mas Búzios tem apenas uma entrada e uma saída, com ruas estreitas. Não comporta tanto ônibus”, avaliou Cristiano Marques, diretor-executivo do Convention & Visitors Bureau.

Na Costa Verde, Angra dos Reis, Paraty e Mangaratiba já planejam unir forças para combater o que chamam de “turismo predatório”. Já neste último fim de semana, Paraty montou a Operação Verão na Rodovia Rio-Santos para barrar o acesso de ônibus sem autorização. Para entrar, os veículos têm que pagar tarifa de R$ 1.296,80. A ação contou com apoio da Guarda Municipal, polícias Militar e Rodoviária Federal, além de agentes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Roberto Monsores%2C de Mangaratiba%2C diz que cidade não tem como receber tantos turistas que vêm da BaixadaDivulgação

A primeira barreira foi no Trevo do Patrimônio, que dá acesso às praias ao sul, como Vila de Trindade e Paraty-Mirim. O secretário de Turismo de Paraty, Wladimir Santander, diz que as ações vão continuar durante o verão. “As empresas que não solicitarem sua senha de estacionamento no prazo estipulado pela lei (até sete dias antes) serão notificadas a pagar o valor máximo da tarifa”, alerta.

A vila histórica de Mambucaba, em Angra, também passou a contar com controle de acesso. “Vamos limitar a entrada de veículos e colocar um ônibus circular. A pessoa estaciona o carro na Vila Perequê, no Centro, e pega o ônibus. Estamos fazendo o controle e será bastante rigoroso contra a poluição na praia”, disse a presidenta da TurisAngra, Maria Silvia Rubio.

A fiscalização começa na RJ-155. “Temos dois estacionamentos de ônibus, um para 20 e outro para 60 veículos. Quando o limite estiver completo, não vamos mais permitir a entrada. Se estacionar em local proibido, vamos rebocar. Além disso, coibiremos as vans ilegais que invadem o município”, ressaltou.

Arco facilita acesso a praias

A criação do Arco Metropolitano aumentou o número de turistas na região da Costa Verde. “O Arco fez com que moradores da Baixada Fluminense chegassem em 20 minutos à cidade. O trânsito começa a ficar caótico já na Rio-Santos. Estamos fazendo ações em conjunto com Angra e Paraty para o controle de acesso de ônibus e de visitantes para evitar tumulto”, afirma o secretário de Turismo de Mangaratiba, Roberto Monsores.

Segundo ele, a cidade não tem estrutura para receber tantas pessoas de fora. “Em um fim de semana de sol foram 80 mil pessoas a mais e muito lixo nas praias. Recolhemos sete toneladas, além de 70 churrasqueiras na orla”. A secretaria está fazendo campanhas de conscientização sobre a limpeza das praias. “Vamos remodelar todos os cais. Esse tipo de infraestrutura ajuda contra o turismo predatório pois quem chega e vê a cidade organizada e limpa, fica com vergonha de sujar”.

Em Búzios%2C a circulação de ônibus de excursão foi reduzida em 30% com cobrança de taxa de R%24 1.800Divulgação

Búzios reduz em 30% número de excursões

Em Búzios, a cobrança para entrada de ônibus de excursão passou a ser feita no verão passado, mas a nova limitação de acesso ao balneário começou a valer no último dia 23. Antes, os veículos tinham que pegar a autorização no Pórtico, em Manguinhos, o que causava transtornos na entrada da península. Agora, devem retirar a permissão no Centro de Informações Turísticas da Rasa.

“Búzios não tem capacidade de mobilidade urbana e congestiona bastante na alta temporada. Por isso, foi criada essa lei para coibir o excesso de excursões”, explicou o secretário de Turismo, José Márcio Moreira dos Santos. Segundo ele, a cidade espera receber 700 mil turistas e visitantes até o final de fevereiro.

Empresários do setor aplaudiram a medida. “Já chegamos a ter quase 200 ônibus em um só dia. O trânsito para, e chega a levar uma hora para atravessar sete quilômetros. Com essa medida, o objetivo é que esses visitantes desfrutem das primeiras praias e não entrem na cidade, causando mais caos”, disse Cristiano Marques, diretor-executivo do Búzios Convention & Visitors Bureau.

Segundo Santos, com a cobrança da taxa, o número de ônibus de excursão caiu 30%. “Houve uma maior qualificação nos ônibus e nos turistas que trazem, mais a ver com o perfil de Búzios”, disse Marques. Os ônibus são informados pelas operadoras e agências de viagem.

Polêmica em cobrança para estacionar

Cabo Frio e Búzios também criaram novas regras para cobrança de estacionamento neste verão e criaram polêmicas. Em Cabo Frio foram instaladas guaritas, cancelas e moirões para limitar o acesso de veículos e organizar o estacionamento na área de preservação ambiental do Parque Costa do Sol e APA Pau-Brasil, que abrange as praias do Peró e das Conchas e Ilha do Japonês.

Veículos com placas do município ou de outras localidades do país passaram a pagar R$10 pelo período de seis horas. A medida foi criticada por quiosqueiros, que alegaram que funcionários também eram taxados, além de limitar o acesso de clientes, causando prejuízos. A prefeitura informou que cada quiosque terá direito a duas vagas durante o expediente e todos já estão cadastrados.

Já em Búzios, a prefeitura contratou uma empresa particular para cuidar do estacionamento nas ruas e praias da cidade, eliminando a figura dos ‘flanelinhas’. O preço é de R$ 3 a cada hora. Vereadores conseguiram uma liminar na Justiça e o serviço foi suspenso, mas a medida foi derrubada e a cobrança voltou a funcionar. “O serviço é organizado e mais seguro, com agentes uniformizados”, defendeu o secretário de Turismo, José Márcio Moreira dos Santos.

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