Tem peixe novo na rede de Angra

Maior produtora de sardinha do estado, cidade aposta na produção de bijupirá, o ‘salmão brasileiro’

Por O Dia

Rio - Detentora de ilhas paradisíacas e praias com águas cristalinas, Angra dos Reis, na Costa Verde, é um município propício à produção de peixes. Maior produtor de sardinha, com 28 mil toneladas em 2014, e o segundo maior de camarão do estado, com cerca de 200 toneladas anuais (só perde para a capital, que tem embarcações maiores), a cidade tem como aliada a boa profundidade do mar e a qualidade da água para a reprodução dos animais.

Cerca de 5 mil pescadores vivem do pescado. Dois deles resolveram buscar uma nova espécie para investir, o bijupirá, conhecido como o salmão brasileiro por causa do delicioso sabor de sua carne. A produção é pioneira no Rio e eles são responsáveis pelas seis toneladas anuais que são comercializadas para diversos restaurantes da capital fluminense. O peixe de água salgada se desenvolve mais rápido que os outros e chega a engordar quatro quilos por ano. Apesar da comparação com o salmão, o bijupirá tem uma produtividade quatro vezes maior.

Peixe graúdo na rede%3A “Enquanto normalmente a espécie vai até 12 quilos%2C esse chega a 50”%2C diz Carlos KazulDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“Agora, tende a crescer essa produção. Demorei uns quatro anos para conseguir acertar tudo e comercializar o bijupirá. Em 2014, comecei a vender para os restaurantes do Rio. O quilo custa em média R$ 40”, disse o produtor Carlos Kazul, que tem tanques-rede, sendo três para experimento, um para a venda, dois para reprodução e um para observação. “Muitos turistas querem ver esse último tanque onde há cerca de 50 peixes enormes que são só para observação. Enquanto normalmente a espécie vai até 12 quilos, esses chegam a 50”.

No total, o produtor possui cerca de 300 peixes. A estrutura e a rede chegam a custar R$ 40 mil. “Os alevinos são comprados com um grama e meia por R$ 3, mas em um ano chega a quatro quilos. O maior gasto é com a alimentação que chega a comprometer 70% do orçamento. O investimento é alto, mas compensa”, completou.

A Secretaria de Pesca e Aquicultura recebeu 280 quilos de ração que começaram a ser usadas no experimento de alimentação do bijupirá. Angra é a primeira cidade a participar da pesquisa sobre a adequação da alimentação do peixe, já que não existe ainda uma alimentação adequada para a espécie, criada em cativeiro. A farinha de peixe que compõe a ração vem da República Islâmica da Maritânia, no noroeste da África.

O objetivo da pesquisa é desenvolver um pacote tecnológico para o bijupirá. O oceanógrafo Marcelo Lacerda diz que vale muito apostar no peixe. “Estudos mostram que quanto mais ele nada, maior fica. Além disso, a carne dele tem 60% de aproveitamento. Muita coisa, em comparação com o robalo, por exemplo, que não chega a 30%”.

Já o secretário de Pesca e Aquicultura, Julio Magno, afirma que o peixe vai fazer sucesso em breve nas mesas dos brasileiros. “A carne é muito saborosa. Está sendo preparada para substituir a culinária japonesa do olho-de-boi. A delegação italiana de futebol quando veio ao Rio disputar a Copa do Mundo comeu o bijupirá na concentração, em Mangaratiba. Vamos lançar mais 10 tanques agora no começo de 2015”, contou.

Terminal para pesca em pauta

A grande produção de peixes, principalmente de sardinhas, demanda uma estrutura que evite apodrecimento da carne. Pensando nisso, a prefeita Maria da Conceição Rabha quer construir um terminal pesqueiro no município. “Estamos conversando com o ministro da Pesca para que libere recursos e seja construída a estrutura no início deste ano ainda”, disse.

Segundo a prefeita, o município já tem um projeto pronto básico. “Estamos esperando o projeto executivo do ministério. O volume de pesca aqui é muito grande. Com o entreposto, toda a atividade ganhará em organização”, explicou.

Ainda segundo a prefeita, sem o local adequado para o preparo do peixe e seu armazenamento, o animal tem que sair o quanto antes do barco para não estragar. “Haverá uma estocagem com câmara frigorifica, além de um local mais adequado para uma movimentação mais ordenada dos veículos que transportam os peixes”, explicou.

O secretário de Pesca e Aquicultura, Julio Magno, concorda com a prefeita. “Em um dia de outubro do ano passado tivemos 75 caminhões carregados de sardinha. A produção foi de 1.050 toneladas. Um recorde. Temos que ter esse terminal para escoar toda essa produção”, disse.