Por nicolas.satriano
Rio - A intenção de acelerar a construção da barragem do Rio Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu, para ajudar no abastecimento de água para Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, como anunciou o governador Luiz Fernando Pezão nesta quarta-feira, em Brasília, esbarra na resistência de produtores rurais, políticos, movimentos sociais, ambientalistas e até do Ministério Público Federal.
A solução vem sendo estudada há pelo menos cinco anos, para atender ao previsível aumento populacional da Região Leste Fluminense com a instalação do Comperj, mas foi “engavetada” ano passado, após forte pressão popular, e voltou à pauta com a crise hídrica que se agrava no estado. Em junho, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) suspendeu a licença prévia para a represa, que obrigaria a remoção de 330 famílias.
O projeto de represa do Rio Guapiaçu teve a licença prévia suspensaReprodução

De acordo com a prefeitura, o município é o maior produtor de milho e aipim do estado e boa parte desta produção vem da área que deverá ser inundada pela represa. São mais de 21 quilômetros quadrados, que já foram desapropriados por decreto em 2013, mas ainda sem indenização aos proprietários. O estado chegou a contratar a construtora Carioca para a obra, segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), “atropelando” o processo de licenciamento.

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O prefeito Waldecy Fraga Machado, o Cica, quer negociar com o governo do estado uma solução de consenso, que não prejudique os produtores rurais da região.
“Sabemos que a dificuldade de água está grande, mas queremos que o produtor não tenha muita perda. Nem o produtor, nem o prefeito, nem os vereadores são contra radicalmente o projeto, mas o produtor não tem para onde ir. Não adianta ficar em terra improdutiva, onde vai sofrer para plantar, nem ir para a cidade, onde não sabe trabalhar. Não vamos criar grandes empecilhos, mas o produtor precisa de terra boa para plantar."
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O secretário estadual do Ambiente, André Correa, reconheceu que “o processo precisa ser melhor discutido com a comunidade”. “ Esta é uma questão estratégica, prioritária. A presidenta Dilma já autorizou. Vamos discutir isso junto com os produtores no relatório de impacto ambiental. Vamos apoiá-los para que mantenham a sua produção, oferecendo equipamento, máquina, terreno”, garantiu. 
Descartada captação de Juturnaíba
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A Secretaria de Estado do Ambiente descartou usar a Lagoa de Juturnaíba, em Silva Jardim, como alternativa para atender Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, como temia a Prolagos, em entrevista ao DIA segunda-feira, o que poderia causar problemas de abastecimento à Região dos Lagos. De acordo com a SEA, a barragem Guapiaçu é a melhor solução para o reforço do abastecimento para a área do Comperj.
“A lagoa está em boas condições e não há risco de racionamento para a população. Para a Prolagos, o manancial deveria continuar atendendo apenas às cidades da Região dos Lagos, porém, cabe ao governo do estado, por meio do Inea, definir sua utilização”, informou a Prolagos, em nota.
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A companhia reafirmou ainda que seu sistema de fornecimento de água “atende com eficiência” os municípios da área de concessão (Arraial do Cabo, Cabo Frio, Armação dos Búzios, Iguaba Grande e São Pedro D’Aldeia) e que “em períodos de alta temporada, quando a população salta de 400 mil para dois milhões de pessoas, o recomendável é que sejam adotados sistemas de reservação de água.
A empresa também explicou que o sistema “a tempo seco”, que liga a rede de esgoto à de águas pluviais, foi escolhido pelo poder concedente e não pela concessionária, devido aos baixíssimos índices pluviométricos daqueles municípios. “Em dias secos e de pouca pluviosidade, o esgoto coletado pela rede pluvial é encaminhado para estação de tratamento, onde é 100% tratado”, diz, em nota.
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