Por vinicius.amparo

Rio - Nesta quinta-feira (29), centenas de pessoas interromperam o trabalho de corte e poda de árvores e eucaliptos da Praça Getúlio Vargas, no Centro de Nova Friburgo. Após se reunir no local com faixas, cartazes e apitos e "abraçar" simbolicamente alguns exemplares centenários, manifestantes impediram o trabalho da Secretaria de Defesa Civil. Um grupo ficou em volta de um dos eucaliptos que seria cortado, amarrados com cordas, e afirmava que não pretendia sair do local até que o município desista da ação.



Alegando garantir a segurança e a maior limpeza no ir e vir dos friburguenses, a prefeitura da cidade está realizando a poda e a retirada das árvores e eucaliptos. Como a praça é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi preciso pedir autorização ao órgão para a operação, iniciada há 10 dias.

Segundo o município, o Iphan permaneceu em silêncio após várias correnspondências, enviadas ao longo dos últimos meses, sobre a necessidade do serviço de manutenção. Por sua vez, o Iphan responde que não era necessário pedir autorização para a retirada das árvores, já que as mesmas se encontram em estado degradável e necessitam ser retiradas. O órgão condenou 108 eucaliptos. 

A Praça Getúlio Vargas%2C tombada pelo Iphan%2C era conhecida pela forte vegetaçãoMaria Abreu

"Um dia após o início da operação iniciada sob o comando da Secretaria Municipal de Defesa Civil, o órgão responsável pelo tombamento da praça entregou um estudo técnico ao município, onde sugere o corte radical de até 108 árvores e a poda de outras 35", diz a prefeitura, em nota. Apesar da recomendação, o município dediciu seguir o estudo elaborado por especialista da Universidade Estácio de Sá (Unesa), para cortar 40 árvores e podar outros 44 eucaliptos.


Técnica explica corte emergencial

A poda emergencial dos eucaliptos da Praça Getúlio Vargas está sendo acompanhada pela engenheira florestal Amazile López, da Secretaria de Meio Ambiente, que, juntamente com o engenheiro Gilberto Nader, avaliam se os exemplares devem passar somente por poda ou se devem ter corte raso, dependendo do seu estado.

De acordo com Amazile López, algumas árvores estão passando por ações de corte raso – quando todo o exemplar é cortado, restando de 50 a 80 centímetros do espécime; poda baixa – quando se corta a árvore praticamente pela metade; e a poda simples. Segundo a engenheira florestal, a partir de agora, todas as árvores da Praça Getúlio Vargas serão podadas anualmente.

Amazile frisa ainda a importância que o projeto de revitalização do Iphan trouxe para a Praça Getúlio Vargas. “Os responsáveis pelo projeto pediram à empresa contratada que fosse dada a máxima urgência para o estudo de análise fitológica de cada exemplar. Esta análise visará saber possivelmente qual a doença cada árvore apresenta, o estado de saúde de cada uma delas, e qual o tratamento que deverá ser aplicado, ou até mesmo a total retirada. Dentre inúmeras questões, o resultado visará também a segurança para a população.

Para a enfermeira e moradora da cidade Natália Amaral, 29 anos, o que a prefeitura está fazendo é uma agrassão contra a natureza e ela vai lutar para que o ato termine. "Nós vamos ficar aqui até eles saírem, isso não pode acontecer. O senhor prefeito está querendo o que? Causar mais degradação? A gente precisa de gente sã como líder do município, que se importe com a natureza", disse.

É nesta situação que se encontra a Praça Getúlio Vargas%2C em Nova FriburgoVander Alvim / Agência O Dia

Iphan: projeto valoriza identidade cultural

Em nota, o Iphan informou o projeto tem o objetivo tanto de valorizar a identidade cultural da comunidade friburguense, bem como sanar os problemas existentes na vegetação de grande porte, condenada, em sua maioria, por um laudo do Ibama de 2010. Um levantamento individual foi feito cerca de 87% da vegetação não é passível de tratamento e precisam ser substituída.

O motivo é a idade muito avançada — principalmente dos eucaliptos —, que também se encontram muito mal conservados, após décadas de manutenção inadequada, bem como pelo fato de que a espécie de eucalipto existente (Eucaliptus robustus) tem como característica a desrama natural, ou seja, os galhos caem naturalmente, sem motivos de vento, chuva, ou outra causa externa.

A nova espécie proposta de substituição aos eucaliptos doentes é o eucalipto prateado, adequada à arborização urbana. Além disso, foi proposta toda a recuperação do parque infantil da praça, novo piso e total acessibilidade, bem como a restauração de um espelho d'agua do projeto original do Glaziou enterrado sob o atual piso da praça.

Reportagem de Vinicius Amparo



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