Por nicolas.satriano

Rio - Com pouco mais de 15 mil habitantes e economia baseada na agricultura, Natividade, no Noroeste Fluminense, decretou estado de emergência hídrica por causa da seca. Desde 15 de novembro de 2014 moradores e produtores rurais não vêem uma gota d’água cair do céu. Córregos e nascentes na zona rural secaram, provocando a mortandade de animais, perda de culturas agrícolas e reflexos no comércio e serviços.

“O nível do Rio Carangola está muito baixo e se não chover até a próxima semana o município será obrigado a fazer racionamento de água”, disse a secretária de Meio Ambiente, Maria Inês Tederiche Miccichelli. Com a seca, a doméstica Maria José Martins, de 59 anos, e seu marido tiveram que deixar sua residência própria, no Centro, às margens do rio, para morar de aluguel no bairro Bagaceira. “Saí da minha casa porque não estava chegando água. Assim não tem condição de viver”.

Maria deixou sua casa%2C à beira do Rio Carangola%2C que mingua sem chuvaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Com uma quitanda no Centro há 21 anos, João Batista Tiradentes, 44, comprava legumes e frutas na região e passou a adquirí-los no Ceasa do Espírito Santo. “Os produtores daqui não têm mais o que vender. Tenho um sítio onde planto laranja, aipim e algumas folhas, mas estragou tudo. Não consegui salvar nada”.

Dona de uma pousada e um restaurante, Ana Paula Guimarães, 49, disse que o movimento caiu de 20% a 25%. “Sabemos que as pessoas daqui não têm uma renda tão boa, então, acaba refletindo em tudo”, explicou.

É a segunda cidade do estado a lançar mão da medida: em outubro, São Fidélis também decretou emergência por causa da estiagem. “O decreto vai possibilitar ao governo municipal buscar recursos e apoio junto aos governos estadual e federal para assistir os produtores rurais prejudicados pela seca”, explicou o prefeito Robson Barreto (PFL). Ele assumiu o cargo semana passada, no lugar de Marcos Antônio Toledo, o Taninho (PSD), que foi cassado.

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