Procissão para atrair a chuva

Fiéis de Aperibé apelam a São Sebastião e Santa Maria Madalena para pedir o fim da seca

Por O Dia

Rio - Os prejuízos com a estiagem no Noroeste Fluminense são tão preocupantes que os moradores da pequena Aperibé estão apelando aos santos para que a chuva dê o ar da graça. Durante duas semanas, sob sol de meio-dia, realizam procissões e rezam para Santa Maria Madalena e São Sebastião, padroeiro da cidade, que fica a 267 quilômetros do Rio e tem apenas 10 mil habitantes.

A caminhada começa na Igreja de São Sebastião e passa pelas ruas centrais da cidade. Durante todo o trajeto, os fiéis rezam e cantam. O objetivo é continuar com a procissão até que a chuva comece a cair e amenize os problemas dos produtores rurais, já que o volume de água nos rios Pomba e Muriaé está cada vez menor.

Grupo de católicos se reúne para rezar%2C sob sol de meio-dia. Cortejos serão retomados em novo horário amanhãDivulgação

Nascida no município, Maria da Graça Bairral, de 62 anos, foi quem deu a sugestão durante uma missa realizada na Matriz de São Sebastião, no último dia 13. “Minha mãe sempre fazia orações para pedir chuva. Daí veio a ideia. Fizemos a procissão três vezes por semana, durante duas semanas. Segunda (amanhã) vamos retomar”, contou ela.

Maria da Graça diz que agora o horário vai mudar. “Estávamos fazendo ao meio-dia, mas não ia tanta gente por ser no horário do almoço e o calor estava muito forte. Agora vai ser às 15h. Temos que pedir a Deus, mas tento conscientizar todos a fazerem a sua parte. Senão, não adianta nada”, completou.

Cerca de 40 fiéis repetem o gesto de derramar água na cruz diante da gruta de Nossa Senhora de Lourdes. “Durante a procissão as pessoas levam potes com água, tendo a cruz na frente do corpo. Quando chega em frente à igreja, o morador molha o crucifixo para lembrar da seca”, afirmou o padre da paróquia de São Sebastião, José Maurício Peixoto.

O pároco tem uma explicação bíblica para a longa estiagem que castiga a região. “Há histórias do Antigo Testamento em que houve muita estiagem porque as pessoas estavam afastadas de Deus. A história está se repetindo. Temos que lembrar o valor da água e rezar pedindo chuva para a cidade e região.”

O padre afirmou que percorre vários municípios e que Aperibé é um dos mais afetados. “A cobertura vegetal está devastada e hoje temos sérios problemas ambientais. Muita gente aqui vive da produção. Precisamos ter consciência e preservar o meio ambiente”, observou.

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