Por nicolas.satriano

Rio - Para debater formas de amenizar os cortes do repasse dos royalties do petróleo, prefeitos de nove municípios do interior do Rio se reuniram nesta segunda-feira, em Macaé. Eles discutiram ações para enfrentar a crise que já está afetando as cidades. Ficou acertado que assinarão um documento em Búzios, no próximo sábado. O texto vai pedir aos governos estadual e federal para garantir os investimentos previstos para estas cidades.

Em Macaé, por exemplo, o repasse dos royalties representa 25% do total e a perda pode chegar a R$ 120 milhões este ano.

Estratégias para driblar a crise por conta da redução dos royalities foram a tônica dos debates em MacaéDaniel Castelo Branco/ Agência O Dia

A carta tem o objetivo de esclarecer à sociedade civil sobre a crise atual e evitar demissões em massa nos setores público e privado. As ações serão encaminhadas em parceria com a Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro).

“As iniciativas vão ser pautadas com transparência para que todos vejam que medidas austeras tomadas nesse momento são essenciais para que se mantenha a estabilidade dos municípios”, disse o presidente da Ompetro, Marcelo Neves.

Em desaceleração

O prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PV), frisou que é importante entender que mais de um milhão de pessoas vivem em toda a região que abrange Macaé, Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus, Conceição de Macabu, Búzios, Cabo Frio e Casimiro de Abreu. “É preciso saber de quanto será a desaceleração dos investimentos. Vai haver de desemprego? Temos que saber”, questionou.

Segundo ele, tem que se definir a magnitude da crise através da indústrias e da Petrobras. "Precisamos tomar medidas drásticas, mas não podemos deixar de investir. Temos que formar um polo regional de petróleo e gás”, sugere. “É preciso criar uma nova infraestrutura viária, ampliar aeroportos, porto seco, terminal portuário".

A crise também afeta a arrecadação estadual de da Petrobras. Segundo a secretaria de Fazenda de Macaé, a queda foi de mais de R$ 500 milhões de 2013 para 2014.

Enxugamento da folha em Arraial

A queda na redução de 32% nos repasses dos royalties do petróleo em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, fez com que o prefeito, Wanderson Cardoso de Britto, o Andinho (PMDB), anunciasse ontem a demissão em massa de servidores municipais. Segundo o comunicado da prefeitura, todos os secretários e servidores comissionados foram exonerados.

Além disso, contratos também foram cancelados. Apenas os concursados foram mantidos. A nota afirma ainda que todos os gastos com eventos e viagens foram suspensos.

Algumas secretarias deverão ser fundidas, diminuindo a estrutura de trabalho. "Oprefeito está analisando toda a folha de pagamento”, informou a nota. Os serviços essenciais, no entanto, continuarão funcionando normalmente.

Cortes também em Cabo Frio

Em Cabo Frio, o prefeito Alair Corrêa (PP) divulgou também ontem a fusão de seis secretarias às pastas de assuntos correlatos. A ação faz parte da reforma administrativa pela qual a prefeitura está passando devido a queda do repasse dos royalties do petróleo.

O objetivo é adequar a máquina municipal à nova realidade econômica, que prevê corte de gastos e custos. Além de reduzir o número de secretarias, o prefeito exonerou um secretário e o procurador geral do município.

Segundo Corrêa, alguns funcionários comissionados do segundo escalão também foram demitidos. Das 38 pastas, 31 permanecerão e sete secretarias serão fundidas.

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