Por felipe.martins

Rio - Depois do Rio, as cidades da Região dos Lagos — principalmente Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo —são as mais procuradas por quem viaja no Carnaval, segundo pesquisa do site Voltem.Com, especializado em aluguel de temporada. Outro levantamento, do Guia Viagens Brasil, um dos principais portais de turismo do país, mostra que destinos como Paraty, Penedo (Itatiaia), Angra dos Reis, Visconde de Mauá (Resende) e Arraial do Cabo concentram 80% das pesquisas sobre pousadas. Quem escolher as praias da Região dos Lagos como rota na folia encontrará preços e serviços para todos os bolsos.

Em Geribá, a mais badalada de Armação dos Búzios, o aluguel de guarda-sol e quatro cadeiras de praia chega a custar R$ 50. Já na Praia do Forte, em Cabo Frio, pelo “pacote” incluindo barraca, mesinha e até oito cadeiras de plástico, o banhista paga o mesmo, mas com uma diferença: poderá consumir todo o valor. O aluguel é feito por consumação, acrescida dos 10% do “garçon”.

Diferente de Búzios%2C onde barraca e cadeiras custam até R%24 50%2C em Cabo Frio serviço é feito por consumaçãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Apesar do conforto — bem diferente da maioria das praias do Rio, onde apenas pela barraca pode se pagar até R$ 20 — frequentadores reclamam, enquanto comerciantes e ambulantes alegam sofrer queda de até 50% nas vendas, causada pelo fenômeno que dominou as praias cariocas no verão passado e se acentuou este ano: a moda do isopor. Muitos banhistas levam sua própria bebida para não gastar tanto dinheiro nas barracas e quiosques.

Mineiros de Barbacena, Wilson Carvalho, de 46 anos, e Cleide Melo, 41, alugaram a casa de um amigo. “A Praia do Forte é linda e para desfrutar de uma vista como essa, temos que economizar. Trouxemos barracas, cadeiras, cerveja e refrigerante”, disse Cleide. “Viemos em seis pessoas de Barbacena e Tiradentes. Imagina se cada um fosse consumir tudo nas barracas e quiosques? Ia ser uma fortuna por dia. Trazer as coisas sai muito mais em conta”, completou Wilson.

Gerente do Quiosque do Beto, Marcos Paulo Nascimento, 26, alega prejuízos. “O lucro que estamos tendo esse ano é metade do que tivemos em 2014. Muitos trazem bebida e até quentinha eu já vi por aqui”, contou. Dona de uma barraquinha de pizza, Maria das Graças Matos, 42, também reclama. “Quem vem de fora, compra. Quem é do Rio traz comida e quentinha para não gastar. No ano passado, vendia 360 pizzas por dia. Hoje, se saírem 100 eu agradeço a Deus”, disse.

E não só nas areias que os comerciantes estão sentido o prejuízo no bolso. Janaína Maria de Melo, 37, gerente do restaurante Camarão do Forte, que fica na orla da Praia do Forte, prevê uma queda acentuada no faturamento. “Nosso estabelecimento ficou vazio em pleno mêas de janeiro, onde mais recebemos os turistas. Muita gente está almoçando em casa, faz compras no mercado e não vem para os restaurantes. Do verão passado para esse, o movimento caiu 40%”, lamentou.

Preços das bebidas são ‘tabelados’

Os preços são ‘tabelados’ nas areias da Praia do Forte. A lata de cerveja custa R$ 5 e o latão R$ 7. Já o refrigerante vale R$ 5, a água sem gás sai a R$ 3 e o côco, a R$ 6. Em Geribá, quanto mais perto do Fishbone (uma tenda fechada que toca música aletrônica e é muito procurada por jovens) mais caro é o preço das bebidas. Cerveja, refrigerante e mate saem por R$ 7 cada um e a água de côco, a R$ 8.

“Aqui não é cobrado nenhum real se o banhista quiser utilizar mesas, cadeiras e guarda­sol dos quiosques em toda a areia. Essa é uma determinação que todos cumprem, pois a fiscalização de posturas da Secretaria de Ordem Pública é eficiente. Aí eu embuto esse valor nos produtos”, explicouOrlanderli Quintanilha, dono do quiosque do Índio.

Ele diz que neste verão faturou menos 50% do que em 2014. “Muita gente traz seu isopor com bebida. Mas damos conforto ao cliente e oferecemos comida a preço justo (R$ 45 a porção de peixe, por exemplo). Temos que criar alternativas para combater esse lucro baixo”, frisou.

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