Por nicolas.satriano

Rio  - Acostumados a “nadar em dinheiro” com a riqueza que jorra dos campos de petróleo na Bacia de Campos, os chamados “municípios produtores” amanheceram mais pobres ontem. Cidades do Norte Fluminense e da Região dos Lagos amargam perdas de até 60% nas participações especiais do último trimestre, repassadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O pagamento é um “plus” a estados e municípios que já recebem royalties pela alta produtividade ou rentabilidade dos poços de óleo e gás natural. Na ponta do lápis, isso significa uma queda de mais de R$ 143 milhões nos orçamentos de 10 municípios — o repasse total foi de R$ 182 milhões, contra R$ 325 milhões no mesmo período de 2014.

Queda no preço influenciou redução de repasses na Bacia de CamposEfe

O levantamento, feito pela Secretaria de Petróleo, Energias Alternativas e Inovação Tecnológica de Campos dos Goytacazes, mostra que a situação financeira destas cidades, que já vinham perdendo royalties por causa da derrubada do preço do petróleo no mercado internacional, fica ainda mais crítica. Somente em Campos, as perdas foram de R$ 74 milhões, fora os R$ 14 milhões que o município recebeu a menos de royalties em janeiro, relativo à produção de novembro de 2014. Daquele mês para cá, o acumulado chega a R$ 120 milhões.

Secretário de Petróleo de Campos e secretário executivo da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Marcelo Neves afirma que o comércio já sofre os efeitos da crise do petróleo. “É um momento muito delicado que os municípios estão enfrentando, com uma sucessão de repasses com queda acentuada em pouco tempo. As empresas começam a sentir fortemente, acabando por provocar demissões”, destacou.

O cálculo dos royalties e das participações especiais se baseia no tripé volume de produção, preço do barril (que tem peso maior) e cotação do dólar. Em termos percentuais os que mais perderam participações foram Armação dos Búzios, Cabo Frio e Casimiro de Abreu: em média, 60% em relação a fevereiro de 2014. Em Cabo Frio, a queda foi de R$ 22,78 milhões (60,52%). Já Rio das Ostras perdeu R$ 18,77 milhões (51,18%). Arraial do Cabo, Carapebus, Macaé, Quissamã e São João da Barra também acumulam perdas. 

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