Por vinicius.amparo

Rio - Uma verba de R$ 13,5 milhões foi liberada pelo Ceivap (Comitê Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul) para a melhoria da captação de água de municípios prejudicados pela estiagem prolongada. A quantia, segundo o órgão, será utilizada principalmente na compra de bombas flutuantes e anfíbias, o que vai garantir o melhor fornecimento de água nas cidades. A medida visa a manutenção do abastecimento após nova redução da vazão do rio Paraíba do Sul, que pode passar de 140 para 110 m³/s. Serão beneficiadas com a verba, oito cidades do Rio de Janeiro, do Norte e Sul Fluminense, e oito do estado de São Paulo.

Segundo a vice-presidente do Ceivap, Vera Lúcia Teixeira, a liberação foi discutida na semana passada, em uma reunião do GTOH (Grupo Técnico de Operações Hidráulicas) do Comitê, na cidade do Rio. Na reunião, o grupo avaliou os prejuízos que a redução na vazão irá trazer para as cidades e ficou decidido o repasse de recursos próprios do comitê para os municípios que correm risco de ficar sem água.

Em São João, o maior problema é com o abastecimento de água. O mar vem avançando na foz do Paraíba do Sul e a empresa responsável pela distribuição reclama da salinização. De acordo com o plano, 12 balsas com bombas elétricas serão distribuídas no rio e mesmo que o nível baixe, a captação não será comprometida. Ainda segundo o plano, além dos equipamentos, será construído um poço artesiano de 250 mil litros, que vai custar R$ 1,1 milhões.

"A verba é oriunda da cobrança pela água bruta. Tínhamos um planejamento de aplicação por ano. Já, inclusive, estávamos com cinco milhões liberados. Realocamos a verba, mediante um acordo da prefeitura de São Paulo e do Rio de Janeiro e a implementamos para uma obra emergencial, fora a verba que a gente também já tinha. O comitê do rio Guandu paga ao Ceivap, 15% do que arrecada, o que totaliza cinco milhões de reais, e desta vez, a verba de R$ 3,5 milhões será adiantada de São Paulo, totalizando os R$ 13,5 milhões. As cidades fluminenses que irão receber o benefício são: Barra do Piraí, Vassouras, Sapucaia, São Fidélis, São João da Barra, Volta Redonda, Barra Mansa e Três Rios".

Ela diz que naturalmente, a captação dos municípios foi construída para receber água em alta vazão, só que com a situação de estiagem prolongada, complicou. O objetivo é a mudança de local de captação, com a colocação de flutuantes, bombeamento no captador, bombas anfíbias etc. Para ela, o principal objetivo é melhorar a captação do município e minimizar os problemas. Barra Mansa e Barra do Piraí são os locais mais atingidos.

"Vamos fazer licitação em caráter emergencial em cada local. Acredito que a gente consegue colocar o edital ate segunda-feira, e em 15 dias, já estar contratando, para, posteriormente no máximo em 45 dias, o problema já estar resolvido. A situação está bem crítica, estávamos com os reservatório no ano passado em 25 %. Hoje, ele está a 6,3% da capacidade. A expectativa, em março, é que a gente feche esse período chuvoso com 15%", completou.

Para Horácio Delgado,  diretor-executivo do Saae Barra Mansa, a instalação de bombas anfíbias, orçadas em um milhão de reais, tem o objetivo de garantir o abastecimento da população de Barra Mansa. "É importante que toda a população continue sendo abastecida e as pessoas utilizem a água racionalmente, pensando no próximo. Se isso acontecer, todos teremos água por um bom tempo. Com a situação neste estado, bem crítica, estamos priorizando totalmente o abastecimento humano. Mas, é claro que as grandes empresas leiteiras da região sofrerão mais ainda se a situação persistir", disse.

Ceivap: A transposição do rio Paraíba do Sul está sendo tratada de forma errada

Questionada sobre a obra de transposição do rio Paraíba do Sul, a vice-presidente do Ceivap, Vera Lúcia Teixeira disse que a forma de como o empreendimento está sendo tratado é um absurdo."Eu não sou contra o projeto, mas primeiro a gente precisa cuidar da água, antes de doá-la. Precisamos revitalizar o rio, cuidar das nascentes, cabeceiras e fazer reflorestamento. Porque fazer doação da forma que querem que seja feita, é ruim. Uma obra caríssima de R$ 850 milhões para nada? Pode ser concreto que quando acabem a obra em 2016, São Paulo e nem o Rio não terão onde pegar água", disse.

Reportagem de Vinícius Amparo

Você pode gostar