Por nicolas.satriano
Depois de crime no centro histórico%2C folia terá percurso e horários alteradosDivulgação

Rio - Depois do tiroteio que matou uma pessoa e feriu outras nove em pleno sábado de Carnaval, durante um bloco na Praça da Matriz, Paraty estuda “privatizar” a festa popular e mantê-la fora do centro histórico.

“Isso abre a possibilidade de a cidade ter um Carnaval em local fechado e pago, onde poderá ter limites de frequentadores e segurança privada”, disse, em nota, o secretário de Turismo do município, Wladimir Santander.

O crime não mudou o roteiro de turistas que planejaram ficar na cidade até amanhã. Pelo menos é o que diz Sebastian Buffa, diretor executivo do Paraty Convention & Visitors Bureau, que reúne 24 hotéis e pousadas, além de 15 restaurantes e bares. Segundo ele, a cidade continua com sua capacidade hoteleira e de restaurantes lotada.

“Foi um susto pelo qual a população passou. Obviamente repercutiu negativamente na imagem da cidade, mas não sabemos de pessoas que tenham ido embora. Até porque o Carnaval continuou. Todos os órgãos tomaram as providências necessárias. Nesse momento, queremos que não volte a ocorrer esse tipo de incidente. Foi em um local muito visível de Paraty”, ressaltou.

No entanto, o administrador Rodrigo Vergara, de 28 anos, morador do bairro da Tijuca, no Rio, foi embora no meio do Carnaval. Essa foi a segunda vez que ele passou os dias de folia no município da Costa Verde. Rodrigo ficou tenso com o tiroteio e disse que vai evitar voltar nessa época do ano.

“Não vou mais para o centro histórico no Carnaval. Pode ter sido até um fato isolado, mas foi um susto grande. Depois dessa confusão, voltei para o Rio. Continuarei indo à Paraty porque adoro aquilo lá. Mas como faço sempre: vou com meus amigos ficar em alguma ilha e aproveitar”, explicou.

No próximo dia 26, o Conselho Municipal de Turismo vai se reunir com o Convention Bureau para discutir ações para que Paraty não deixe de atrair turistas em seu tradicional calendário de eventos, entre eles, a Flip e o Festival da Cachaça. “Vamos analisar os eventos como um todo, mas obviamente a situação do Carnaval será a pauta principal”, diz Buffa.

Cidade é a terceira do estado em taxa de homicídios

Com 39 mil habitantes, Paraty ocupa a terceira posição, logo depois de Mangaratiba e Cabo Frio, entre os municípios do estado no mapa da violência elaborado pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, que compara o número de homicídios por habitante em mais de cinco mil cidades do país. Foram 20 assassinatos em 2011, 24 em 2012, 30 em 2013 e 21 entre janeiro a agosto de 2014.

A polícia acredita que a maioria dos crimes está ligada ao tráfico de drogas. “Se houver a desarticulação do tráfico, o número de homicídios vai cair”, observou o delegado titular da 167ª DP (Paraty), Bruno Gilaberte. O crime —o segundo praticado durante um bloco de Carnaval na cidade (o primeiro foi em 2011) —já está esclarecido.“Estamos com todos os três participantes identificados, o que falta agora é finalizar o inquérito. A prisão, inclusive, já foi decretada”, disse. Segundo ele, falta formalizar os laudos e ouvir alguns dos feridos.

O prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, o Casé, agendou uma reunião para os próximos dias com o governador Luiz Fernando Pezão na qual cobrará medidas de reforço na segurança da cidade. Logo após a folia, o efetivo da Polícia Militar já havia sido triplicado na cidade: de 40 para 120.

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