Por daniela.lima

Rio - Desde a tragédia das chuvas em janeiro de 2001, moradores do Rio Grande de Cima, na Região Serrana, convivem dia a dia com o perigo. Uma ponte que liga uma importante estrada entre Nova Friburgo e Sumidouro representa risco, inclusive para crianças de uma escola municipal que fica a 30 metros do local, que passam por ali sem qualquer segurança. 

Ponte destruída não está no pacote de obras previstas pelo estado Foto de leitor


As cabeceiras da ponte foram levadas pelas águas e também seus guarda-corpos. Foram colocadas pedras para refazer as cabeceiras, mas a proteção para os pedestres nunca foi refeita.

Para a enfermeira Joana Freitas, de 25 anos, a condição da ponte é muito precária, e algo precisa ser feito urgentemente. “É um absurdo a ponte continuar no estado que está. Crianças, ônibus e caminhões pesados passam no local. Isso tem de acabar, ela está abandonada há 11 anos.”

Para ela, o problema também é causado pelo descaso das autoridades. “Já fiz diversas reclamações junto à prefeitura, mas até agora nada. As aulas já voltaram e nada foi feito, quando essa situação vai mudar?”, cobrou.

A Secretaria Estadual de Obras informou que havia feito obras na localidade, mas que não cuida de pontes. O outro órgão, que também é responsável por obras, mas em rodovias, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), informou que inaugurou recentemente algumas pontes no local, mas a travessia sobre o Rio Grande de Cima, no bairro Rio Grande de Cima, não estava no “pacote” ,e seus cuidados estavam sob domínio da Prefeitura de Nova Friburgo.

A administração municipal, no entanto, informou que a sua Secretaria de Obras não participou de nenhum processo de execução da ponte, não teve ingerência em qualquer estágio desse processo e que os cuidados estariam a cargo do governo estadual.

“Graças a Deus até agora não ocorreu um acidente, mas é previsível e até muito provável que aconteça”, disse um morador, que não quis se identificar. O curioso, segundo ele, é que uma “super ponte” foi construída na região — a 300 metros da ponte precária —, sem necessidade. “Só atende a uma propriedade (a fábrica de cachaça Nega Fulô), tem passagem para pedestres, guarda-corpo e até proteção para carros. Ela é tão grande e alta que em sua saída o barranco do morro teve de ser escavado para evitar problemas.”

Governo estadual diz ter entregue 81 obras na região

O governo do estado anunciou no final de janeiro que, em parceria com a União, investe R$ 101,7 milhões na restauração de pontes e pontilhões na Serra. Foram recuperados 81 acessos, que garantem o escoamento da produção agropecuária local, especialmente a hortifrutigranjeira, prejudicada pelas chuvas de 2011.

Das 92 pontes previstas, foram reconstruídas 20 pela Secretaria de Obras, 21 pelo DER e 40 pela Secretaria de Agricultura. A pasta de Obras ficou com 27 pontes, sendo que três estão em licitação (em São Guido, em São José do Vale do Rio Preto, Cruzeiro, em Teresópolis, e uma em Bom Jardim) e quatro em adequação de projeto (Madruga, em Teresópolis; Banquete, em Bom Jardim; e Chica e Faria, em Santa Maria Madalena). Pelo DER, estão em obras, ou previstas, duas em Sumidouro, uma em São José do Vale do Rio Preto e uma em Trajano de Moraes.

MP cobra saída para problema

Em janeiro, o Ministério Público do Estado, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Petrópolis, ajuizou ação civil pública contra o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o governo estadual para obrigá-los a reconstruir seis pontes destruídas após a tragédia na região do Vale do Cuiabá, em Itaipava, Petrópolis.

Segundo a ação, foram destinados cerca de R$ 75 milhões pelo Ministério das Cidades para o Estado do Rio recuperar a região. Só que nada aconteceu. Entre as obras necessárias, estava a reconstrução das pontes, que ficou a cargo do Inea.

Os recursos só serão liberados mediante o cumprimento de regras estipuladas pela União, como apresentação de projeto e cronograma de obra. Com isto, o dinheiro permanece retido na Caixa.

Reportagem: Vinicius Amparo

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