Mancha de óleo no mar de Angra chega a Mangaratiba

Vazamento ameaça praias da região e futura reserva de botos-cinza. Transpetro foi multada em mais R$ 25 milhões, além dos R$ 50 milhões impostos pelo Inea

Por O Dia

Rio - O vazamento de óleo ocorrido semana passada no terminal marítimo da Transpetro, em Angra dos Reis, chegou à Baía de Mangaratiba e ameaça espécies animais, como o boto-cinza, que corre risco de extinção. Técnicos e fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do município vistoriaram e constataram uma mancha que se estendia de Conceição de Jacareí até a restinga da Marambaia, passando pelas Ilhas Guaíba. Os fiscais aplicaram uma multa de R$ 25 milhões à Transpetro, além de obrigar a empresa — que já havia sido multada em R$ 50 milhões pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea)— à recuperação de danos ambientais.

Técnicos do município fiscalizaram a área e constataram que o vazamento atingiu águas e costões rochososDivulgação

Técnicos do município fizeram sobrevoo na área atingida e confirmaram o impacto ambiental próximo das Ilhas Guaíba, Guaibinha, Jaguanum e Restinga da Marambaia, inclusive com marcas de óleo no costão rochoso e praias do município. O óleo atingiu a costa de algumas ilhas, onde se encontram a APA Guaíba e a futura APA Marinha Boto-Cinza. “Estamos monitorando 24h por dia. Hoje (segunda-feira), a situação está sob controle, mas o estrago já foi feito. Vamos cobrar duro da empresa que recupere o dano ambiental causado”, disse o superintendente de Meio Ambiente de Mangaratiba, Moacir Machado.

O Inea confirmou que, após o acidente, o óleo foi levado pela maré e atingiu áreas próximas a Porto Galo, Caetés, Garatucaia, Porto Real, Club Med, e as ilhas Furtada, Guaíba, Jaguanum, Siri Pestana e Praia de Araçá. Em sobrevoo realizado segunda pela manhã por técnicos do órgão, no entanto, não foram avistadas no mar manchas de óleo cru decorrentes do vazamento.


Já os técnicos do município realizaram a coleta do material e constataram ser petróleo cru, não refinado. A equipe foi até o terminal da empresa em Angra, onde foi informada sobre o plano de contingência. O Inea informou que o Serviço de Operações de Emergência (Sopea) e a Superintendência Regional Baía da Ilha Grande continuam acompanhando as operações de limpeza de locais atingidos, como costões rochosos.

A Transpetro informou que não iria se manifestar. Antes, a empresa rebatera a acusação do Inea de que omitiu a real extensão do vazamento, inicialmente estimado em 560 litros.

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