Prefeito flagrado com propina pode ser cassado na Serra

Nova prefeita também responde a ação

Por O Dia

Rio - “A população está apavorada”. Foi como resumiu Rosângela Pereira Borges do Amaral, que assumiu a Prefeitura de São Sebastião do Alto, na Região Serrana, em substituição a Mauro Henrique Chagas (PT), preso semana passada pela Polícia Federal após ser flagrado exigindo propina de R$ 100 mil de um empresário para aprovar obras no município. Eleita vereadora pelo segundo mandato e por duas vezes presidente da Câmara Municipal, Rosângela tem o desafio de administrar uma cidade em que os políticos estão desacreditados: em pouco mais de dois anos, ela é a terceira a ocupar o cargo no Executivo municipal. A população de São Sebatião do Alto, de apenas nove mil habitantes, tem mesmo motivos para se preocupar.

Rosângela é a terceira a assumirReprodução TV

O prefeito eleito em 2012, Carmod Bastos (PT), foi afastado por denúncias de crime de responsabilidade e em seu lugar, assumiu, em abril do ano passado, Mauro Henrique, que agora também corre o risco de ser cassado. Nesta segunda-feira, a Câmara abriu uma Comissão Processante (CP) para investigar denúncias contra ele. O prazo é de 90 dias para concluir os trabalhos. O Ministério Público já havia obtido na Justiça o afastamento de Henrique e pediu que ele pague uma indenização de R$ 1 milhão por dano moral coletivo.

“Fomos todos pegos de surpresa. Foi um acontecimento inesperado”, disse ao DIA a nova prefeita, que foi empossada oficialmente na sexta-feira. Rosângela, de 37 anos, teve seus bens congelados pela Justiça em maio do ano passado. Motivo: suspeita de improbidade administrativa na contratação irregular de um advogado. A licitação foi feita pelo marido dela, Carlos Otávio da Silva Rodrigues, que presidia a Comissão Permanente de Licitação e também foi denunciado pelo MP na ação civil pública. Mais duas pessoas também foram investigadas.

Secretários estão na mira

Rosângela deverá decidir hoje suas primeiras medidas à frente da prefeitura, entre as quais, a possível demissão de parte do secretariado. “Estamos nos reunindo com procurador, advogado, contador. Queremos saber a real situação financeira do município e se eles (os secretários) estão trabalhando direito. Senão, vamos trocar”, antecipou ela, que se diz preparada para o cargo. “Me encontro em condições de fazer um bom trabalho, com apoio da Câmara. Peço à população que tenha paciência”, disse.

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