Fé e tradição nas ruas de Atafona

Devoção a Nossa Senhora da Penha atrai uma multidão de fiéis a São João da Barra até dia 13

Por O Dia

RIO - Conhecida por ser reduto de pescadores, local do encontro do rio com o mar e um importante polo turístico da região, Atafona, no litoral de São João da Barra, é também uma localidade onde a religiosidade se faz presente na devoção a Nossa Senhora da Penha. Anualmente, fé e tradição caminham juntas nos festejos em homenagem à padroeira, atraindo uma multidão de fiéis que se desloca de diferentes partes do município e de várias outras cidades do país para as celebrações que começaram ontem, domingo de Páscoa, e vão até a próxima segunda-feira (13). 

A história de fé e devoção remete ao século 19, quando notícias vindas da Capitania do Espírito Santo relatavam os inúmeros milagres concedidos pela intercessão da Virgem da Penha. Segundo relatos do Convento da Penha de Vila Velha, anualmente sanjoanenses e campistas saiam em frotas de barcos para as festividades em homenagem à santa, que ocorriam sempre uma semana após a Páscoa do Senhor, tendo como dia maior a segunda-feira da Pascoela. Devido a esta tão grande devoção, foi criada em 1857, a Irmandade de Nossa Senhora da Penha de Atafona, com o objetivo de erguer uma Igreja.

As obras de construção do templo tiveram início três anos após a criação da Irmandade, em terreno doado pela senhora Francisca Barreto de Jesus Faria, esposa do comendador Joaquim Thomaz de Faria. Quem visitou as obras da Igreja, no ano de 1875, foi o Imperador D. Pedro II, durante sua segunda visita a São João da Barra. A conclusão ocorreu seis anos mais tarde, tendo como mão de obra forte os pescadores devotos.

A primeira imagem da Padroeira para a igreja veio da cidade do Rio de Janeiro, junto das imagens de Santo Antônio e São Benedito, as quais possuíam altares ladeando o antigo altar-mor de Nossa Senhora da Penha. No ano de 1906 uma grande enchente ameaçou as estruturas da Igreja e um velho casco de navio foi colocado para evitar uma adversidade.

Anos depois a Igreja passou por reformas e ampliações, com a atual arquitetura externa, onde também foi erguida uma torre com sino e a pintura em azul e branco, as cores oficiais da Irmandade.

No inicio do mês de dezembro de 1992, a imagem de Nossa Senhora da Penha foi furtada do seu altar-mor. Comunidade e devotos fizeram, na época, novenas e ladainhas em súplica pelo retorno da imagem e, em forma de luto, toalhas pretas foram colocadas no altar. A imagem foi encontrada em 26 de dezembro do mesmo ano, em um trecho da RJ-158, que liga Campos a São Fidélis, nas proximidades da antiga Usina de Santa Cruz. No mesmo dia a imagem retornou para Igreja com uma multidão de devotos que caminhou da cidade de São João da Barra ao distrito de Atafona.

Atualmente, os fieis repetem todos os anos as caminhadas, agora pelas principais ruas de Atafona. Várias comunidades recebem a imagem com muitas homenagens e orações, ratificando a fé, a devoção e a tradição que já duram 158 anos. A programação religiosa teve início nesse domingo de Páscoa e vai até a próxima segunda-feira, dia 13 de abril, com alvorada às 5h ao som da Banda União dos Operários, que também desfilará pelas vias centrais de Atafona, além de missas durante todo o dia, batizados, procissão e show católico com o padre Alessandro Campos. 


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