Rio Bonito atrai mais empresas

Prefeitura oferece áreas e incentivo tributário e facilita alvará para aumentar arrecadação

Por O Dia

Rio - Rio Bonito, no Leste Fluminense, está em busca de opções para o corte que sofreu no orçamento com a diminuição do repasse dos royalties do petróleo e a retração nos investimentos do vizinho Comperj, que se refletem em toda a região. A cidade tem oferecido descontos e isenções de impostos e taxas, além de áreas e uma série de vantagens para a instalação de empresas. 

Prefeita Solange Pereira diz que boa localização beneficia o municípioDaniel Castelo Branco / Agência O Dia


Situado às margens da BR-101, o Parque Industrial, que conta com uma área de 379 mil metros quadrados, já concentra até agora 29 empresas. “Só este ano, concedemos licenças a 12 novas. Além disso, 15 estão em processo de escolha de área. Essa é uma maneira de aumentar a arrecadação de ISS e ICMS. Temos 300 empregados trabalhando nas empresas já instaladas. Esperamos que até o final do ano, mais 700 postos de trabalho sejam gerados, totalizando mil”, disse o secretário de Planejamento, Marcelo Soares.

Uma das empresas que escolheu Rio Bonito é a norueguesa Norsafe, do ramo de embarcação de salvatagem (segurança e salva-vidas na área offshore), que atende a navios e plataformas de petróleo em todo o mundo. Serão 50 empregos diretos, e o início da construção está previsto para maio. “Eles disseram que escolheram Rio Bonito por conta da logística. Estamos próximos a Macaé e Niterói que têm muito trabalho offshore. Há uma facilidade de escoar e trazer a produção”, contou a prefeita Solange Pereira (PMDB).

O ISS, com alíquota de 2%, uma das mais baixas do estado, sofre uma redução de 50% na base de cálculo para o setor de serviços. A localização estratégica da cidade é outro atrativo. “Nosso município é muito bem localizado e tem muita segurança. Estamos a cerca de 80 quilômetros do Rio e de Macaé. Essa logística é muito interessante. Com a duplicação da rodovia que liga Manilha a Magé, também ficaremos muito mais próximos de São Paulo”, diz a prefeita.

A baixa densidade demográfica da cidade é outro atrativo. Ela lembra que São Gonçalo, por exemplo, conta com uma área total de 249 quilômetros quadrados e uma população de mais de um milhão de habitantes. “Rio Bonito tem 457 quilômetros quadrados e 55 mil moradores. Portanto, temos muitas áreas para ofertar às grandes empresas”, destacou. 

Queda de 40% no orçamento

Para enfrentar a queda de até 40% na arrecadação do município, a prefeitura, a exemplo de outros tantos municípios do estado, teve que apertar os cintos e cortar na própria carne. Reduziu contratações, diminuiu o salário da prefeita e dos secretários municipais e fundiu as pastas de Planejamento com Fazenda e Trabalho com Gabinete.

“Reduzimos na Educação e na Saúde em torno de 800 contratos, e estão ocorrendo demissões. Ainda não sabemos o orçamento ao certo para este ano. Não conseguimos nos planejar direito. Estamos contingenciando em 40% o orçamento. Em 2014, foram R$ 218 milhões. Perdemos FPM, ISS, ICMS. De dezembro para março, perdemos 50%. Teremos uma redução de R$ 4 milhões. A limpeza urbana, por exemplo, está afetada”, contabiliza a prefeita Solange Pereira.

Uma das saídas tem sido investir na arrecadação da Dívida Ativa, para elevar a receita própria e reduzir a dependência dos repasses federais e estaduais. Outra solução é apostar no empreendedorismo e nos pequenos negócios. Há cerca de um mês, a prefeitura criou a Sala do Emprendedor, em parceria com o Sebrae. “Hoje, qualquer microempresa, em apenas 20 minutos, pode tirar o alvará. Isso vai mudar muito a cidade. As pessoas precisam começar a entender que ficam travadas em um emprego formal e, às vezes, podem ganhar muito mais como MEI (Microempreendedor Individual)”, disse Solange.

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