Por bferreira

Rio - Mais um clube do interior do estado perde o seu templo do futebol. A empresa Faezam Engenharia iniciou na Sexta-Feira Santa, 3 de abril, os trabalhos de demolição do Estádio Jair de Siqueira Bittencourt, o Jairzão, que resistia há 25 anos em pé. O desmonte do principal estádio de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, que já não recebia uma partida oficial desde 2011, causou comoção entre torcedores do clube de mesmo nome. Um grupo de torcedores tentou impedir a demolição na Justiça, com um ação civil pública, mas a empresa que comprou a área conseguiu derrubar a liminar. No ano passado, Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, também deu adeus à tradicional sede do Americano, o sexagenário Estádio Godofredo Cruz.

Estádio do clube que não recebe partidas desde 2011%2C resistia de pé há 25 anos. Torcedores lamentam o fimAgência Comuniqque

Palco de diversos clássicos importantes, com lotação no seu auge, nos anos 1990, o Jairzão tinha capacidade para cerca de 10 mil pessoas e, segundo o torcedor itaperunense Rafael Nazário, de 38 anos, esse número sempre era batido. Passaram por lá grandes nomes do futebol, como Zico, Roberto Dinamite, Romário, Bebeto, Pestana, Zé Carlos Melo e Rogerinho.

“A fase porque passa o clube é muito ruim. Essa tal crise financeira, ainda não me conformei”, lamentou Rafael, que conheceu sua esposa, a comerciante Roberta Trindade, 25, no local há seis anos. “No chão ou não, sempre vou me lembrar desse lugar como a casa do meu clube”.

Segundo o presidente do Itaperuna Esporte Clube, Rogério Silveira, da venda do estádio, por R$ 15 milhões, R$ 4 milhões já foram utilizados para sanar dívidas. Os R$ 11 milhões restantes serão aplicados na construção de um novo estádio, no Vale das Seringueiras, no bairro Aeroporto. As obras começam já nesta semana. “Não é o fim do futebol do Itaperuna, mas, o recomeço”, garante.

Resultado da fusão de três clubes em 1989 (Comércio e Indústria, Unidos e Porto Alegre), o Itaperuna, que disputou a segunda divisão do Campeonato Carioca, em 2011, e atualmente está de “licença”, recebeu em sua casa jogos de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, todos na década de 1990.

Para o diretor de Esportes da prefeitura, Nivaldo Godoy, a demolição do estádio é uma perda irreparável. “Perdemos muito. Como esportista, como torcedor e como cidadão. O Jairzão era uma grande referência para jogos no estado. Só Deus sabe agora quando teremos um novo monumento como este”, comentou.

Espaço pode dar lugar a shopping

Ainda não se sabe oficialmente qual empreendimento tomará o lugar do Jairzão. Procurada, a empresa não informou o novo destino do local. Segundo o professor de Educação Física e ex-jogador do Itaperuna, José Pereira da Silva, o Deo, especula-se que deve ser erguido ali, no coração da cidade, um shopping ou até um prédio residencial. Para ele, a negociação não foi totalmente correta.

“Achei muito rápido isso. O povo daqui ficou chateado mais por causa da falta de planejamento. O time principal não treina, a base não treina. Como fica? O local deveria ser vendido sim, o Itaperuna estava cheio de dívidas. Mas acho que o outro lugar já teria de estar em pé quando a negociação acontecesse”.

Deo conta que sentirá falta do estádio: “É uma pena, o local é mágico, vi muita coisa boa ali. Espero um dia estar num lugar igual”. O que restará é contar a história para os filhos. “Me lembro das grandes partidas, até da vencida pelo antigo Porto Alegre em cima do Flamengo por 2 a 0. Foi uma alegria total bater o Mengão de Zico e Renato Gaúcho em 1987. Vou guardar com carinho as vezes que corri por esse gramado, jogando pela terceira divisão”.

Reportagem de Vinicius Amparo

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