Por nicolas.satriano
Publicado 18/04/2015 01:19 | Atualizado 21/04/2015 19:45

Rio - O cultivo de moluscos e crustáceos, pelas mãos do homem, aumenta os lucros que vêm do mar na Baía da Ilha Grande, junto com a produção de sardinha que bate recordes em Angra dos Reis, como o DIA mostrou nesta sexta-feira (17). A cidade lidera a produção estadual e nacional de maricultura. Atualmente é a maior produtora de vieiras, também conhecidas como Coquilles Saint-Jacques, um molusco que se tornou queridinho dos chefs de muitos restaurantes chiques do Rio e São Paulo.

“A vieira é uma iguaria muito saborosa, inigualável, e tem um bom valor comercial”, afirma Renan Ribeiro, diretor técnico do Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande. Em cinco anos, o IED-BIG produziu 18 milhões de sementes de vieiras para todo o Brasil, a maior parte para as fazendas marinhas de Angra, Paraty, Mangaratiba e Itaguaí. No estado, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios são outros produtores.

Um maricultor ganha em média R%24 3 mil%3A produção cresce a cada anoDivulgação

Cada dúzia de vieira é vendida a R$ 50. “É um mercado que tem cada vez mais procura”, diz Ribeiro. Em um ano, a produção saltou de 21 toneladas para 31,5 toneladas em 2014. Este ano, a previsão é que a produção chegue a 70 toneladas. A produção de mexilhão e ostra também subiu, passando de 6 toneladas em 2013 para 13 toneladas no ano passado.

“Estamos vivendo um momento muito bom. Tanto para a maricultura quanto para a pesca em geral, não tem crise. Vendemos tudo o que produzimos”, diz o secretário de Pesca de Angra, Júlio Magno.

Segundo ele, apesar de o país viver um momento muito difícil, a cidade está investindo pesado junto com os governos federal e estadual na mecanização da maricultura local. “Estamos levando para os cativeiros balsas mecanizadas e hidrolavadores, equipamentos que vão melhorar e acelerar a produção”.

Fazendas vão produzir 10 toneladas

Mais duas fazendas marinhas serão criadas na Ilha Grande, elevando para 13 o número de empreendimentos fomentados pela prefeitura, que oferece assistência técnica, doação de sementes e cessão de materiais, como lanternas, boias e cabos.

O município lançou um edital para selecionar moradores da ilha que vão administrar as fazendas.O objetivo é fixar o ilhéu no local, com trabalho e renda. “Temos um grande mercado consumidor em um setor que ainda tem muito para crescer. Quem levar a sério a maricultura vai ganhar dinheiro”, afirma o gerente de Maricultura, Marcelo Lacerda. A expectativa é que, juntas, as duas produzam 10 toneladas ao ano.

Outro incentivo foi a criação da fábrica de lanternas que, já em 2015, deve produzir 1.200 equipamentos, atendendo maricultores de toda a região. A medida promete baratear a produção.

Mas a competição com países como China e Canadá é a grande ameaça ao setor. “O ideal seria não deixar importar a vieira. É muito difícil essa competição com os grandes produtores, que já são industrializados. A vieira do chileno é boa, mas não ganha da nossa porque vem congelada, e a nossa é fresca”, afirma o húngaro Zoltan Biró, o Zoli, que há três anos produz na Enseada do Bananal, na Ilha Grande.

Colaborou Vinicius Amparo

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