Por bianca.lobianco

Rio - Matheus Taboada, de 39 anos, trabalhava com turismo e hotelaria. Morou em Florianópolis (SC), e, ao voltar para Petrópolis, conheceu um amigo que fabricava sua própria cerveja e se interessou pelo assunto. Em pouco tempo tinham virado sócios. Hoje ele fabrica cinco tipos diferentes de cerveja e toca o negócio sozinho. Transformou o quintal da sua casa numa pequena fábrica, que produz até 600 litros da bebida por mês.

Matheus aprendeu os segredos da produção das cervejas artesanais e hoje vende cinco tipos diferentesDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

O crescente interesse dos consumidores por cervejas especiais ou artesanais está atraindo novos investidores e ajudando a turbinar o turismo na Região Serrana. Criada ano passado, com apoio dos governos federal e estadual, a Rota Turística e Cervejeira do Rio já reúne mais de 70 pontos em Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim e Santa Maria Madalena.

O projeto deve receber R$ 8 milhões em investimentos, com expectativa de atrair 150 mil visitantes por ano à Serra. O roteiro inclui grandes produtores, como Bohemia e Petrópolis, microcervejarias, cervejeiros artesanais e bares que produzem a própria bebida no local. Ao todo, são 60 tipos diferentes produzidos na região. O setor já é responsável por 3 mil empregos diretos e 20 mil indiretos.

Giuliano Hoehne, da agência de viagens Poltrona 1, diz que o mercado cervejeiro tem sido responsável por uma explosão de vendas de novos roteiros. “Muita gente querendo fazer a rota cervejeira. Um mercado que nós, que trabalhamos com turismo, temos muito o que aproveitar”.

Idealizador do circuito cervejeiro, Nauro Eduardo Grehs, secretário de Turismo de Nova Friburgo, calcula que em três anos, haverá 15% a mais de ocupação na rede hoteleira. A cidade possui quatro cervejarias em fase de legalização. A crise não assustou os investidores do segmento, que virou febre nos últimos anos. “Alguns de meus clientes estão com um pé atrás sim, não renovando tanto o estoque. Mas as vendas não caíram, está tudo normal. Sem dúvida, o mercado das cervejas é algo em que vale investir. E isso só tem a crescer”, afirma Gustavo Renha, sommelier de cerveja.

Potencial para crescer ainda mais

Surfando em uma tendência de mercado, as microcervejarias passaram a se beneficiar da lei sancionada pelo governo do estado em agosto de 2014 que reduziu de 25% para 13% o ICMS do segmento. São contempladas fábricas que produzem até 3 milhões de litros anuais de cerveja ou chope artesanal que contenham, no mínimo, 90% de cereais malteados ou extrato de malte e que vendem até 200 mil litros por mês dos produtos.

Para o jornalista e pesquisador de cervejas Marcio Beck, existe potencial para este mercado crescer ainda mais, só que está limitado pelas condições econômicas. “O produto é mais caro e não cabe no bolso de muitos brasileiros”. Matheus investiu quase R$ 20 mil para ter sua própria fabricação. O custo médio para cada litro que produz fica em R$ 3 e uma garrafa de 600 mililitros chega ao consumidor final por algo em torno de R$ 14. Toda a sua produção é vendida entre amigos e bares locais. Ele aumenta seus ganhos com cursos sobre produção de cerveja. Um negócio que se reproduz.

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