Por karilayn.areias

Rio - Evanir de Carvalho Vargas tem 80 anos, nasceu em Vila Nova Mambucaba, Angra dos Reis, filho do único mercador que existia na localidade. Durante 35 anos foi agente penitenciário no Presídio de Ilha Grande. Ele conta que, naquela época, para sair de Mambucaba, só de canoa a remo. “Não tinha estrada. Eu ia com meu pai comprar mercadoria em Angra dos Reis. Chegávamos lá de madrugada, fazíamos compras, enchíamos a canoa e voltávamos para vender tudo por aqui”.

Vilarejo foi tombado em 1968 pelo Iphan. Na Estrada Real%2C pode receber recursos para recuperar casarioDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

De lá para cá, pouca coisa mudou. Vila Nova Mambucaba, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1968, é um dos raros sítios históricos brasileiros que foram preservados em sua totalidade, não somente as edificações, mas também o traçado urbano e equipamentos que retratam sua ocupação. Hoje, o vilarejo possui apenas duas pousadas registradas, a das Flores e a Vila Histórica. Nas proximidades, há seis grandes redes de hotéis, além de casas e apartamentos para temporada. Mas o turismo na região pode ganhar novo impulso com a inclusão do vilarejo na Estrada Real, projeto turístico que valoriza o entorno de antigas estradas que ligavam o Rio a Minas Gerais.

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que coordena o programa, já deu carta branca à Secretaria de Turismo de Angra dos Reis. A inclusão na rota turística tem apoio também da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) e do Parque Nacional da Serra da Bocaina, uma reserva ambiental que fica bem atrás da vila. “Incluir Mambucaba na Estrada Real é fazer o resgate da nossa história. Vai facilitar para que as autoridades possam conseguir apoio para a restauração de prédios históricos, como a igreja e o casario”, diz Nilton Júdice, diretor-executivo da TurisAngra.

Depois do período do ouro, Mambucaba floresceu no auge do café, já no século 18. O café subia e descia para o Vale do Paraíba por ali. Os primeiros registros sobre a existência do vilarejo podem ser encontrados na obra ‘História verídica e descrição de uma terra de selvagens’, escrita em 1571 pelo alemão Hans Staden. O livro retrata o período em que ele esteve no Brasil e estabeleceu contato com os indígenas locais. Em seu livro, a vila é chamada de Mambukabe.

Hoje, quase 500 anos depois, Vila Nova Mambucaba ainda preserva muitos dos seus vínculos com a história.

Seu Evanir luta pela preservaçãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Morador quer mais ordem no turismo

Viúvo, ex-presidente da associação dos moradores e figura conhecida no local, Seu Evanir cuida das ruas para que a vila esteja sempre com bom aspecto. Recentemente, mandou fazer os bancos que ficam ao redor da igreja. Diz que está esperançoso com a inclusão na Estrada Real. Tem certeza de que será uma oportunidade para que surjam empregos no setor de turismo.

“O que queremos é mais cuidado das autoridades com a nossa Mambucaba. Até pouco tempo, na época de verão, as praias ficavam tomadas de barracas de praias e ônibus de excursão, que chegavam de madrugada e estacionavam em qualquer lugar. Uma desordem só”, conta ele.

Mas para incluir Mambucaba na Estrada Real é preciso que “o dever de casa seja feito”, diz Júdice. Atualmente, segundo ele, faz-se um turismo que não tem qualificação nem vínculo com a história. “Temos um turismo popular na época das férias e dos feriados, quando a vila fica lotada”. A fase agora é de sensibilizar as empresas locais.

Você pode gostar