Por daniela.lima

Rio - Quando o mar está de ressaca, os comerciantes dos quiosques da Praia da Tartaruga, em Rio das Ostras, se preparam para uma rotina diferente. Eles já começam o expediente recolhendo mesas, cadeiras e demais estruturas que possam ser danificadas pelo avanço do mar. Se levar em conta a história do cartão postal, essa é uma preocupação recente, mas que a cada ano se torna mais preocupante. Na última década, o nível do mar vem subindo progressivamente, fenômeno que se agrava desde 2010. Muros, calçadas e jardins vão sendo engolidos pelo mar, que já cobriu toda a faixa de areia. 

Na Praia da Tartaruga%2C a prefeitura teve que interditar parcialmente o calçadão%2C prejudicando o turismoDivulgação


Segundo a Secretaria de Obras do município do litoral do Estado, ações como a construção e reparo de muros têm sido feitas no local. Porém, com o agravamento do problema, as intervenções não foram suficientes, e agora o mar ameaça comprometer o trecho da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), que cruza a cidade.

“O problema é a força do oceano, que está aumentando. O mar já retirou parte da urbanização à beira-mar e agora começa a avançar sobre a rodovia”, relatou o secretário de Obras, Wayner Fajardo Gasparello. De acordo com ele, a prefeitura tentou a contratação de um oceanógrafo no ano passado para a resolução do problema que, porém, não foi adiante.

“O município não detém esse conhecimento. Tentamos a contratação, mas não tivemos sucesso por questões jurídicas. Agora estamos correndo com apoio do governo do estado para uma ação imediata”, afirmou. A questão foi levada pelo prefeito Alcebíades Sabino ao Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER), em meados do mês de abril.

Segundo o oceanógrafo David Zee, a criação de estruturas que apenas contenham o avanço da água do mar que insiste em assustar os moradores em dias de ressaca, não solucionará a questão que aflige todos no litoral do Estado. “A tendência é avançar mais. É preciso que haja um conjunto de ações, de recomposição da estrutura natural da região. Por exemplo, vamos ter que desenvolver mecanismos para que se fixem areias”, disse.

O mesmo fenômeno tem acontecido em outras faixas litorâneas de todo o Brasil, segundo o oceanógrafo. “É resultado do aquecimento dos oceanos. Na Tartaruga existe uma cidade por trás e todo mundo percebe. Mas há muitos lugares onde o problema nem é notado”, completou. 

Atafona volta a sofrer com a água

Depois de alguns meses sem causar novos estragos, o mar voltou a avançar sobre as casas em Atafona, São João da Barra, no norte do estado. Além de assustar moradores e provocar curiosidade em turistas que visitam o local para ver as ruínas, o avanço do mar produz imagens muito impressionantes.

Há dois anos a casa da foto ao lado estava a 100 metros da praia, hoje se encontra tombada sobre a mesma. “É a natureza mostrando ao ser humano quem é que manda”, diz o morador Erick Aniszewski.

No mesmo município, o avanço do mar na região da Praia do Açu causa medo aos moradores a cada temporada de mar agitado. Em setembro do ano passado, a água chegou a invadir a rua principal do Açu. A força do mar alagou casas e estabelecimentos comerciais. Na ocasião, agentes da Defesa Civil da cidade precisaram ser acionados. 

Reportagem: Lucas Gaioso

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