Por marlos.mendes

RIO - "Mãe é aquela que cria e educa". Assim diz uma velho ditado que circula por todo o mundo. E, em São Gonçalo, crianças vítimas de maus-tratos, negligência, abandono, agressões e abusos sexuais estão tendo a chance de conviver com uma nova mãe. O trabalho é feito pela secretaria de Desenvolvimento Social, Habitação, Infância e Adolescência, que está desenvolvendo o programa "Família Acolhedora".

O projeto, que busca um lar temporário para inúmeras crianças, também dá a chance de famílias receberem esse menores que precisam tanto de uma palavra e gestos de carinho. As novas mães não adotam, elas apenas acolhem por um determinado período que é definido por um juiz.

"O projeto é fantástico porque atende a duas demandas: a de crianças que precisam de um lar e a de famílias que transbordam de amor e estão em busca de mais um sorriso, mesmo que ele seja temporário. Juntos, eles evoluem e aprendem um com o outro. As famílias que acolhem tem um gesto ímpar", destaca o prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim.

A "Família Acolhedora" trabalha com crianças de zero a seis anos, que precisam de proteção. E essa proteção a equipe multidisciplinar do programa encontra em famílias que se cadastram, com a responsabilidade de estimular o desenvolvimento dessas crianças. As famílias recebem todo o apoio da Prefeitura, inclusive de alimentação para a crianças, e também é acompanhada por profissionais.

Uma das mais antigas integrantes do "Família Acolhedora", Ana Lúcia Dutra, de 54 anos, é exemplo de que motivos para aderir ao programa não faltam. Desde 2010, multiplicando seu coração por Gabriele, Ana Clara, Clara Luz, Thaís, Jennifer, Vitória, Jamile, Júnior, Rafael, Lucas, Daniel e João.

“Sempre tive vontade de ajudar e tenho um grande carinho por crianças. Desde criança ajudava as pessoas da redondeza a cuidar das crianças do bairro que de certa forma estavam abandonadas. Às vezes as pessoas pensam que para ajudar tem que ter uma condição financeira boa e nem sempre o dinheiro é importante. O amor fala mais forte, se eu não puder acolher eu fico doente”, conta a mãe acolhedora, que tem dois filhos biológicos e dois netos.

Hoje, a família abriga João, de 6 anos, pela falta de cuidados e do abandono da mãe, acabou chegando ao programa. Junto com ela, outras 11 famílias são acolhedoras na cidade e desta cinco estão acolhendo.

“Amor, carinho e afeto são algumas das razões que levam uma família a abrir a porta de suas casas e seu coração para acolher temporariamente crianças. Esse é um programa muito importante para o município na medida em que a criança que sai do seu convívio familiar, onde vivem vítimas maus tratos, abusos e negligência recebem carinho e atenção de uma família”, destaca a secretária da pasta, Ana Cristina.

Os interessados em participar poderão fazer as inscrições comparecendo a sede da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Habitação, Infância e Adolescência, localizada na Rua Uriscina Vargas, nº 36, bairro Mutondo, São Gonçalo, munidos de documentos de identificação pessoal.

Ana Cristina esclarece ainda as famílias interessadas são cadastradas pela equipe técnica do programa, recebendo orientações e informações com relação aos critérios e condições necessárias que a habilitem para a função. É importante que sejam residentes de São Gonçalo, atendendo as exigências das normativas previstas pela Lei Municipal nº 313/2010, que institui o programa de acolhimento provisório, artigo 7º, cabendo ao Município e a Justiça da Infância o acompanhamento dessas famílias.

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