Acidente nuclear é simulado em Angra

Segurança será testada em falso vazamento que envolverá moradores, em setembro

Por O Dia

Rio - Militares do Ministério da Defesa acertaram esta semana os detalhes dos novos exercícios de simulação de acidentes nas usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis, na Costa Verde. A simulação, antecipada com exclusividade ao DIA, está marcada para setembro e envolve a população local e da cidade vizinha de Paraty e, pela primeira vez, vai prever situação do lado de fora das usinas.

O exercício simulará um vazamento de material radioativo e a posterior evacuação de aproximadamente duas mil pessoas. A promoção desse treinamento mais amplo passou a ser recomendada por autoridades nucleares mundiais desde o desastre nuclear na central de Fukushima, no Japão, em 2011. Na ocasião, pelo menos três pessoas foram contaminadas por radiação após explosão. O reator superaqueceu após ter seu sistema de resfriamento danificado pelo terremoto de magnitude 8,9 e subsequente tsunami que devastaram o país.

Angra 1 ficará desligada até dia 13 para reabastecer combustível nuclearDaniel Castelo Branco / Arquivo Agência O Dia

De acordo com o Ministério da Defesa, durante a simulação, uma pessoa contaminada por material radioativo será atendida em hospital de campanha das Forças Armadas e, após constatada a contaminação, será embalada e levada de helicóptero para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins, na cidade do Rio, referência para esse tipo de atendimento desde o acidente radiológico Césio-137.

A atividade tem como objetivo avaliar o plano de segurança, identificar possíveis pontos vulneráveis e aperfeiçoar os procedimentos. Os detalhes dessa operação serão acertados em reunião fechada que vai de quarta a sexta-feira da semana que vem. Nela, estarão representantes do ministério e especialistas nucleares de diversos órgãos, como da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Desde o último dia 7, Angra 1 está desconectada do Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo a Eletrobras Eletronuclear, o desligamento deverá durar 37 dias para que o combustível nuclear seja recarregado. Até lá, serão realizadas inspeções e atividades de manutenção. Outro objetivo é que o Operador Nacional do Sistema (ONS) possa fazer manobras no sistema elétrico, para garantir o abastecimento seguro de energia. O planejamento leva em conta as Olimpíadas de 2016, para não comprometer o fornecimento durante os Jogos.

Últimas de _legado_O Dia no Estado