Alerj tenta saída para crise na Uenf

Atraso em bolsas de pós-graduação prejudica alunos em Campos. Servidores também sofrem com salários congelados

Por O Dia

Campos dos Goytacazes (RJ) - Atraso em bolsas de pós-graduação dos alunos e congelamento de salários dos servidores estiveram na pauta da visita que a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) fez à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, nesta sexta-feira (22). Os parlamentares se reuniram para discutir com professores e alunos os problemas que a educação superior no município vem enfrentando.

O presidente da comissão, deputado Comte Bittencourt (PPS), propôs apresentar novamente emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), solicitando o repasse de 6% da verba do estado para as universidades. “Nós temos cinco unidades estaduais de ensino superior e a mesma verba que tínhamos quando só existia a Uerj (Universidade de Estado do Rio de Janeiro). Ficou claro para a comissão que quase tudo que ouvimos hoje é reflexo da falta de recursos, e insistimos em apresentar essa proposta. Se conseguirmos aprovar a emenda a educação terá uma verba de R$ 917 milhões por ano”, disse Comte.

Crise começou em janeiro

Com o corte de R$ 10 milhões no orçamento, a Uenf iniciou o ano com as contas em atraso. Daniele Rodrigues, diretora de assuntos acadêmicos e administrativos de pós graduandos da universidade, relatou que muitos alunos estão se endividando pelo atraso das bolsas de estudo. “Muitos não conseguem se manter e pagar as contas, pegam empréstimos no banco a juros altos e não conseguem pagar, e acabam desistindo das vagas de pesquisa. Para piorar, pela quebra de contrato, eles ainda seriam obrigados a reembolsar o estado com o recurso investido no aluno.”

Segundo o vice-reitor da Uenf, Edson Corrêa, desde janeiro deste ano a administração tenta regularizar a situação das bolsas junto à Faperj ((Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). “O primeiro atraso foi na bolsa de dezembro, que seria paga dia 10 de janeiro, mas foi depositada com vinte dias de atraso, depois disso, os meses seguintes também sofreram atraso. Até o momento, os alunos não receberam a bolsa referente ao mês de abril, mas esperamos que até o meio do ano tudo se normalize”, garantiu o reitor.

Isepam també sofre com falta de recursos

A falta de recursos também impactou o Isepam (Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert), visitado pelos deputados. Além de problemas na estrutura do prédio, como falta de lâmpadas, pisos soltos e obras inacabadas, faltam professores no instituto. Segundo relatos de alunos do Ensino Médio Normal, a grade curricular está prejudicada, por exemplo, não há professor na disciplina de conhecimentos pedagógicos da educação especial, oque afeta diretamente o aprendizado dos estudantes.

A professora de matemática do instituto, Simone Higino, alertou que o número de alunos também reduziu nos últimos anos por consequência da falta de concursos para professores na região. “Quando eu entrei no Isepam, há 12 anos, tínhamos dez turmas de 40 alunos, formávamos 400 professores por ano, hoje, temos apenas uma turma com 26 alunos e sem nenhum professor na área pedagógica, relatou.

Com a crise orçamentária os recursos da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), que administra o Isepam, foram reduzidos. O diretor de educação superior da Faetec, Fernando da Silva Mota, afirmou que não será possivel a abertura de novos concursos para esse ano. “Estamos trabalhando em um estudo para abrir novos editais ano que vem, mas isso só vai trazer impactos para 2016”, justificou. Na próxima semana, a engenharia da Faetec irá a Campos para avaliar as questões estruturais do Isepam e identificar o que pode ser resolvido de imediato.

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